Saturday, September 30, 2006

Caricaturas Crónicas 8

O QUE A CARNE VALE
Por: Osvaldo Macedo de Sousa

«Foi o tumulto de Carnaval... gosto e apetite depravado,
intemperanças de gula, enfim carne.»
Pe. António Vieira in «Sermões»


Por debaixo da máscara está a carne, matéria em putrefacção que o tempo vai destruindo, até ficar em nada. Nada morre, tudo se transforma, e antes que chegue o tempo da ressurreição ao terceiro dia, existem três dias «gordos» de gula, antecedendo a marca da cinza: «Lembra-te homem que és pó, e em pó te hás-de tornar.»
Por debaixo da máscara da riqueza está o Zé e a Maria Povinho, matéria em degradação que os impostos vão destruindo, até ficar no osso, que a carne está cara. Nada morre, alguns viram a casaca, e antes que chegue o tempo da revolta geral, o político faz eleições, renascendo, tal «phaenix», das cinzas governamentais: «- Ó Zé não me conheces?» - pergunta a máscara política - «Conheço-te como os meus dedos! És o mesmo do ano passado, mas com outra caraça... No mais não fazes diferença: a mesma capa, o mesmo palavreado, e as mesmas contribuições.» (R.B.P. in «Pontos nos ii» a 4/3/1886).
A máscara é a arma do político, e com ela dá liberdade de fantasia ao interlocutor, com ela metamorfoseia-se no que os outros gostariam de ver, finge do que gostaria de parecer. A máscara é o Carnaval, é o «Xexé», é «Salsa», é a política disfarçada em vida.
Tal como o ciclo anual, quando a vida parece morrer, na falta de esperança, quando os frios invernais crispam a máscara no gelo, chegam as campanhas eleitorais, chega o Entrudo, a festa da carne. Já não há «carneiro com batatas», e a carne no «churrasco» é outra: «Ora vejam vocês, rapazes como os tempos mudam!... D'antes, quando havia fé e religião no mundo, era o Povo que queimava os Judas... Hoje, são os Judas que queimam o Povo». (Nogueira, in «Os Pontos», a 2/4/1899).
A Festa é a tradição do «apetite depravado», da «intemperança da gula», é a barriga na procura do «cozido à portuguesa», o qual tem mais batata e couves para uns do que para outros. Mas é também a liberdade em fingimento, é o cair das máscaras da conveniência na qual nos vamos escondendo de nós próprios, como ilusão de enganar os outros, e enganados andámos todos nós.
O Carnaval, como valor de carne gorda, já que a carne limpa de vaca está muito cara, é o mascarado que se desmascara a si próprio, sem necessidade do espelho mágico do caricaturista.
Três dias de Entrudo, dias de exorcismo, três «gordos dias» na tentativa de esquecer a gordura da carne mais barata, ou a «ténia» na «porca da política». Se o Entrudo é o triunfo da carne, porque não tem IVA, e a Quaresma o tempo da abstinência, dos serviços prestados com IVA, o Portugal é a abstinência perpétua para o Zé, e a carne eterna do político.
Dias de folia personificados por um ser folgazão e glutão, capaz de todos os excessos e tropelias, como triunfo libertador. O Carnaval e a sua orgia é a irreverência contra a normalidade, é uma pequena explosão dentro de todo um ano em que o Zé e a Maria são bisnagados, bailados... numa eterna mascarada. Pois, quando crêem que finalmente podem retribuir os ovos podres, cai-lhes a «Quaresma em cima! Pecados por a boca fora, (...) (neste espaço estava escrito bacalhau) ...pela boca dentro, procissões, cera gasta, mirra, sermões, fatinho preto... e está-se no céu!» (Almeida e Silva, in «Charivari», a <18/2/1888).

Friday, September 29, 2006

Caricaturas Crónicas 7

A CARICATURA DOS DESGOVERNOS
Por: Osvaldo Macedo de Sousa

A política governamental, desde as mais remotas épocas, tem sido apresentada como um circo onde todos tentam devorar-se uns aos outros no intuito de ficarem sozinhos no poder, mas quem acaba sempre por ser devorado é o Zé-Povinho. A permanência ou a queda, são um jogo circense.
Os Governos através da caricatura aparecem-nos como: uma pa1haçada; polichinelos manobrados por cordelinhos invisíveis; ilusionistas que através de truques enganam o Zé-Povinho; saltimbancos que saltam entre os arcos da «Rethorica Pitoresca» enquanto fazem «Cambalhotas Gramaticais»; trapezistas que se passeiam pelo ar, ou que andam no arame, arriscando-se que a corda fique bamba e caiam. Quando um caí, de imediato outro lhe toma o lugar.
O caricaturista como porta-voz do Zé, é oposição à oposição e ao Governo, porque segundo os adágios e provérbios do "Pontos nos ii" (RBP – 11/9/1880), «de Deus vem o bem, e do governo vem o mal; «Quando o povo diz ai, o Governo diz, daí». São oposição porque os Governos «são como aqueles ferreiros de capelistas: quando o Governo X está no Poder, o povo é sempre um arruaceiro que precisa de guarda municipal como de pão para a boca, ao passo que o Governo Y lhe chama povo livre que pretende zelar os seus interesses. Desce o Governo X e sobe o Governo Y; ê logo este quem fornece guarda municipal aos arruaceiros e àqueles que aplaudem o procedimento do povo soberano. Por isso se vê que o Zé-Povinho tem nos governos /…/ duas parcialidades que o aplaudem e o zurzem - alternadamente, para não cansar a braço. Em vendo alguém a dar-lhe palmas, já sabe que amanhã lhe dará pancada". (RBP, in "Pontos nos ii” 7/4/1885).
O político, na caricatura, não é de fiar, porque não passa de um bailarino que de pirueta em pirueta salta de trapézio em trapézio - «Homem, eu sou republicano é verdade e sirvo os progressistas, mas, parece-me, que os regeneradores ainda ficam… Estou capaz de me passar para eles…» (Sebastião Sanhudo. in “Sorvete" 29/9/1878).
Um baile com cada um à procura do seu par ideal do momento - «Demissões, nomeações, transferências, substituições, eis a cena em que perdem os nossos amigos de Ontem e ganham os nossos amigos de hoje." (RBP. in «Pontas nos ii, 15/4/1886 ).
Destes bailados nascem os governos eleitos pelo povo, a troco de «carneiro com batatas». Em princípio, estes devem governar o melhor possível, seguindo de perto o programa apresentado ao eleitorado, mas, estando no Poder o fundamental para os governantes é aguentar o máximo de tempo, mesmo que seja necessário fazer ginástica - «Encontramos a verdadeira denominação para o actual Governo: - Um governo de cauchu. É muito maleável. Estende-se ou encolhe-se, conforme a situação. É um perfeito governo de cauchu, porque apertado, espremido, entalado e achatado até à última pela oposição, comprime-se, geme, chia, barafusta e encolhe-se até às menores dimensões. Largam-no convictos de que ficou amassado de vez, estende-se, grita (salta por cima de todas as considerações, ficando novamente aprumado.» (Almeida e Silva in «Charivari», 22/6/1889).
Os governos de cauchu são bonecos «sempre em pé», porque pirueta para um lado, pirueta para outro, mesmo desgovernando, conseguem manter como que por magia o equilibrismo.
Quando há governo há oposição, e toda e qualquer oposição tem como primeiro objectivo derrubar o governo na ideia de o substituir nos malabarismos e ilusionismos políticos. No fundo, é um jogo de forças no cai não cai. Pode cair através de eleições, a forma mais natural, mas também pode cair porque pressionado pela oposição ou pelo povo, uma força superior ao governo, alguém entalado entre os dois lados tem que tomar a decisão:
«Uns pedem-me que conserve o governo: devia empregar o vinagre para a conserva. Outros pedem-me que o faça cair, devia empregar o azeite para ele escorregar... Para satisfazer a ambos vai azeite e vai vinagre, e vai salsa, e vai cuentro, e assim arranjo uma salada para os assados em que me vejo.» (RBP. In “Pontos nos ii", 15/3/1888). .
Quem cai sempre é o Zé-Povinho, porque, hipnotizado volta sempre a colocar os mesmos polichinelos no governo, e a razão, segundo o caricaturista Sebastião Sanhudo é que o «povo português é exactamente da índole do boi. Uma criança qualquer o conduz aonde deseja sem que ele saia da sua mazorice habitual. Não é como o couraçado Pimpão: que se apertam muito com ele - estoira. Nem como a nossa guarda municipal que esmaga tudo quanto encontra diante de si... em certas ocasiões. O povo português é como o boi de trabalho, tem força mas não sabe que a tem. É preciso picarem-no tanto para ele andar mais um pouco..." (in "Sorvete” 16/7/1882).

Caricaturas Crónicas 6

MAG(R)OS REIS EM FESTAS DE INICIO DE ANO
Por:Osvaldo Macedo de Sousa

«É um mistério que chega e um desengano que se retira. O velho parte pobre e enfermo, arruinado e gasto. A sua bagagem consta unicamente, de papéis: lembranças de coisas que lhe esqueceram, notas de promessas que não cumpriu, projectos de obras que não fez, borrões de leis que não passou a limpo, planos de reformas com que não reformou coisa nenhuma, um relatório, muitas contas e um mandado de penhora.»
«O novo tem o aspecto romanesco e aventureiro. É este o que vem entrar na liça e combater pelo outro que sai da arena trôpego. e imbecil.» (R.B.P. in António Maria; 5/1/1882).
Todos os anos, perante a «morte» da natureza, perante a frialdade do mundo, o homem sonha, cria esperanças no renascimento de um menino-Deus, na vinda de um D. Sebastião, ou num ano NOVO.
Durante cerca de uma semana, ou seja, do nascimento de uma esperança divina ao nascimento de uma cronologia temporal, a humanidade sonha refazer a vida, o mundo, aparecer de uma noite para a outra, o que ela recusou durante o ano. Doze badaladas de esperanças, que no final não passam de doze frustrações não concretizadas no passado.
Todo este sonho começa na simbologia dum pinheiro enriquecido com falsos esplendores, na montagem de um presépio onde o menino-esperança fica rodeado pela família, pelo burro e a vaca, pelos pastores… Para os caricaturistas esse presépio é o retrato dos políticos na contemplação do menino-povo, o menino-voto. Na realidade, hoje e sempre, o presépio da vida é o burro e toda a animalidade na adoração do menino-político.
Protegido pela sua aura de «salvador» (nacional), o menino-político faz as suas birras, berra quando não lhe dão de mamar e borra-se para o mundo. Hipnotizado, o Zé abana as orelhas, e teimosamente mantém-se em adoração perante tal presépio.
Cada novo político, ou governo, é como cada novo ano, a partida de um velho, gasto em promessas não realizadas, e a chegada de uma esperança. É a promessa de «palha nova», promessas que não vão ser cumpridas, projectos que não serão concretizados, reformas que não reformarão nada, e no final haverá provavelmente novo mandado de penhora, uma nova albarda-imposto para o Zé-Povo carregar.
Para terminar o ciclo das festas, na abertura de um novo ano, vêm os Reis Magos, que de magia nada têm, para além de um magro bolo comido em memória do Ouro que Mirra no tesouro público.
Na caricatura estes falsos reis, magros, são os políticos esfomeados na adoração ao Tesouro Público, ao voto-povo, a uma pasta no Governo... Os Reis Magos (gordos) podem ser também a imagem dos investidores, que pensam ter a riqueza que resolve os problemas do País, são os detentores das riquezas «emprestadas» ao menino-Portugal, se este se «portar bem». Com Raphael Bordallo Pinheiro os Magos apareceram em forma do banqueiro Burnay, hoje é o FMI, ou outras entidades similares que possuem o ouro, o incenso e a mirra desejados pelos Governos. Qual o destino destes «presentes» é também um mistério, como o é na história bíblica,
Este é o período de festas, de esperança, de humanização momentânea do pensamento, e, por isso mesmo, nem sempre o cartoonista é festivo neste período de muita hipocrisia. Aproveita, pois, a alegria e esperanças de uns, para expor o mundo aos olhos da verdade, expor a tristeza dos outros, a desilusão, a revolta contra a falsidade, a miséria, contra os políticos e Governos.
Neste ano nasce de novo no presépio um mesmo, menino-Deus, nasce um novo ano, nascerá algo mais? «E após tão agudos transes, Carlotinha, sempre virgem, mesmo depois de mãe, dará ao mundo o fructo dos seus amores com Fervilha. O nascimento do Menino-Rei-Absoluto dentro do presépio... Belém, será então festejado, sem discrepância. Os próprios Reis Magos da coligação acabarão por abandonar a sua Estrela-Fonal e, curvando-se à evidência do milagre, virão cumprimentar pressurosos o recém-nascido. Tudo será alegria e fausto de que o Zé-boi partilhará, não dando sequer porque, afinal de contas, cada vez lhe vão pondo... a manjedoura mais alta, e um protesto apenas se erguendo: o do burro que, logicamente recordará, em seraphicos zurros, que burro por burro lá estava ele... que era mais velho!» (Celso Hermínio, in O Micróbio, 23/12/1894).

Thursday, September 28, 2006

Caricaturas Crónicas 5

O PORTUGAL CARICATURAL
Por: Osvaldo Macedo de Sousa

«- Teve uma syncope! »
«- Já o despimos, até lhe ti­rámos a camisa, para facilitar a circulação ...
e não recupera os sentidos. É capaz de nos ficar nas mãos!»
«- Entretanto vamos todos endireitá-lo, que está muito torto.»
«- Não puxem da direita!»
«- É da esquerda que empurram ....»
«- Afrouxem lá de cima!»
«- Aguentem de baixo ...»
«- Não tem senão ossos e está todo desengonçado.
O melhor é esfolá-lo e encher de palha a pele.
Bem empalhado, se lhe dará vida nova.»
(M. Pinto, in "Charivari» a 25/4/1891).

Qual espantalho o têm transformado os nossos governos e seus desgovernos, as suas alianças e desalianças, os empréstimos de penhora... e assim aos olhos do caricaturista, Portugal apresenta-se em sincope crónica.
Em 1847, Cecília no Supl. do "Patriota" (27/9) dá-nos uma das primeiras interpretações caricaturais do nosso país - descreve-o como um esqueleto despojado de vestes e carnes, pelos agiotas. Na altura ainda não havia o FMI, mas em todos os tempos e locais existem entidades caritativas para o desenvolvimento dos países. Contudo, nos contratos dos empréstimos nunca fica definido onde se provoca o desenvolvimento, se no campo económi­co, se na dívida.
Em 1848 o mesmo Cecília (in «Patriota» 17/9) já nos apresenta Portugal tal como um burro carregado de albardas. Claro está que tudo isto é uma simbologia cadastral, numa localização zoológica, ou seja, como identificação do nosso país como uma das raras reservas especializadas naquele espécime animal. Porém, algumas pessoas mal intencionadas interpretam o burro como o português pronto a obedecer a qualquer almocreve nacional ou estrangeiro, mas sempre teimoso em não tomar o caminho do progresso.
A albarda, nesse desenho, é o símbolo da nossa riqueza, e nossa força. Riqueza pela abundância de albardas (já que não temos outra coisa); força porque mesmo com oitocentos anos aguenta às costas tanta simbologia de trabalho, e sempre pronto a aguentar muito mais. Mais tarde, as más-línguas dirão que o burro é o povinho, e que as albardas são os impostos, juros e décimas que lhe lançam no costado.
De qualquer modo, é preciso esclarecer que, se por vezes o caricaturista transforma a imagem do Zé num burro, é como gesto humanitário e pudico. O Governo, por necessidade patriótica, penhora-lhe muitas vezes a camisa e a pele. Ora, entre mostrar um Zé em pêlo, ou um burro, é preferível o último, não se vão ofender virtuosos olhos.
Nesse mesmo ano de 1848 um anónimo desconhecido (já que Cecília era um anónimo conhecido, apesar deste desconhecidos ser provavelmente o mesmo desconhecido Cecília - in «Patriota» 22/10) cria uma pequena alegoria com a tourada, mostrando o nobre Portugal a ser toureado, a ser farpeado por políticos nacionais e estrangeiros (que isto de hospitalidade vem de longe). O povo entretanto observa deliciado a perícia dos cavaleiros. Uma das razões por que ainda hoje não se mata touro na arena, provém do mau exemplo para possíveis simbologias, provém do perigo que seria o caricaturista simbolizar a morte do País. Farpeado, pegado, domado ainda vá lá, porque isso já está na nossa massa do sangue, mas morto não.
Em 1849, outro Anónimo («Patriota» 2/1) apresenta Portugal como uma nau à deriva em plena tempestade. Uma imagem bonita deste povo de marinheiros sem frota pesqueira, deste país que vive na água que os políticos metem. Na verdade somos marinheiros por essa mesma razão, para não nos afogarmos na nossa política intestinal.
Depois de 50, os anónimos cansados de tanto clamar no deserto deram lugar aos assinantes, já que a lista classificada é meio caminho andado. Mas estes poucos trouxeram de novo o mais importante símbolo nascido dos assinantes, apareceu em 1875, e baptizado com o nome pomposo de Zé-Povinho.
Portugal manter-se-á sempre como um velho esquálido, mas perante tal imagem degradante, o caricaturista envergonhado apresenta um jovem Zé, mesmo em pêlo ou esfolado como o povo português, como o País em si. Simbiose compreensível, já que ambos sofrem na mesma medida com as actividades dos nossos políticos, e com a amizade dos nossos aliados.
Essa amizade fez com que certos povos (ou investidores) afirmassem que o «Zé-Prometeu» (R.B.P., in «António Maria», 24/3/1881) certos favores nas colónias (industriais e comerciais), na isenção de impostos, em conclusão, facilidades. Mas, mesmo jurando que não prometeu nada, continuam a devorar-lhe o fígado.
Esfolado e empalhado; albardado; quase afogado; debicado... tudo isso pode ser, mas que se lembre o diabo de tentar matá-lo, porque então coiceia, investe de cornos no ar, e manda uns tantos Miguel de Vasconcelos pela janela fora. No caso dos vivos adormecerem. Stuart gritará de novo: «Mortos de pé, que os vivos estão de cócoras!"

Wednesday, September 27, 2006

Caricaturas Crónicas 4

O RIS(C)O DAS NAÇÕES

Por: Osvaldo Macedo de Sousa

O sentido do ridículo e da crítica em humor é de todos os tempos, pelo menos desde que o homem tomou consciência dos seus actos em riso. Esta foi a consequência natural do Homem ao ver-se ao espelho, só que nem sempre se tem rido das mesmas coisas, do mesmo modo, e «nu» riso se pode estudar, mesmo diagnosticar, as mentalidades, as morais, o espírito de cada sociedade, de cada povo. «Rindo se corrigem os costumes», diz a história, e de tesoura e lápis azul em punho se castiga o humorista mais verdadeiro.
Cada época ri de modo diferente, assim como cada povo aceita de forma diversa a opressão, ou a crítica em humor, na base da sua cultura, da sua abertura de espírito à «democracia» em ideias. A aceitação corresponde à consequente criação, que certos autores tipificam em estruturas conceituais - países. Um desses autores é Geraldo sem Pavor que defende: em França o humor é a «leveza espumante do espírito».
«A graça alemã é às vezes pesada; a deformação da caricatura roça pela inverosimilhança irritante», mas «são os menos frívolos de todos», é o humorismo em filosofia.
O humor inglês provém do «c1ownismo grave» - «existe uma harmonia cénica feita de sínteses /.../ numa exploração inteligentíssima dos incidentes mais simples e correntios da vida quotidiana».
«O humorismo metálico dos norte-americanos possui todos os defeitos do inglês, e nenhuma das suas virtudes. Longe de castigarem, defendem os defeitos e os ridículos da colectividade».
O Italiano é a «graça cortante dum espelho côncavo», porém «não perdem nunca um puro sentido de elegância e um requintado bom gosto».
«A 'graça' no seu sentido mais puro pertence aos Espanhóis. O 'Chiste' é o sinónimo mais fiel da graça. Nenhum país, corno a Espanha, possui maior quantidade de 'graça', de cultores de 'graça', de ‘varredores de graça' - A graça andaluza, cheia de picardia, feita pelo exagero da expressão - A Castelhana é o espírito de quixotismo - a 'peça' catalã é habitualmente pesadota - a peça galega pretende rir do fundo de ingenuidade que existe na velhacaria do povo» (in «Rebeca», 1933).
Em Portugal «a máscara do humor dos nossos humoristas é cabeçuda e sombria. Têm o crânio luzidio e liso, os olhos encovados e as pupilas olham baixo, desconfiados, sob as pálpebras papudas. O rosto é um bocejo calmo /.../ Não é a máscara do humor: é um retrato a crayon de amanuense com filhos e letras no fim do mês». (Veiga Simão, In prefácio ao catálogo «O Salão dos Humoristas», 1912).
Se a unanimidade não é uma das nossas características, a excepção à. regra é esta opinião: «Sim, existe uma sátira muito lusitana. É aquela que se baseia na piada pesadona, bruta, malcriada, perante a qual o humor refinado está como uma picadinha de alfinete para com uma valente cacetada» (António Gomes de Almeida).
O português é a piada do café, é a anedota bem contada entre a «bica» e o bagaço, mas preferencialmente com a temática da desgraça burlesca do vizinho. Quando o humor recai sobre a sua pessoa, ou suas ideias, já não existe humor, mas uma reacção negativa contra a falta de educação. Faz-se humor para cativar a atenção dos circundantes, para exaltar o ego, ou para satisfazer o espírito amanuense.
Diz-se que o povo português não sorri, ri à gargalhada, ou chora a sua desgraça. Ri do que já foi, chora aquilo que já não consegue ser: «Daí a tristeza lusitana, que nós (brasileiros) herdámos, e da qual é flor fina de sentimento essa saudade, que outros sentem, mas ninguém traduziu melhor em expressão. Nos intervalos desse estado quase doloroso do espírito, o riso raro, avinhado ou brejeiro, surgia como impulso, explosivo, na graçola portuguesa. Os mesmos termos de carinho são nesse povo, às vezes, de insulto, o tom é incumbido de fazer distinção: 'Meu ladrão', 'minha negra', são carícias.» (Afrânio Peixoto).

Tuesday, September 26, 2006

Caricaturas Crónicas 3

O CARICATURISTA
Por: Osvaldo Macedo de Sousa

«O mundo seria um manicómio; os humoristas apenas uma espécie de loucos,
com fracção de juízo, para perceberem que também são loucos, como aliás os outros.»
Afrânio Peixoto

O homem tem cinco sentidos para apreender o mundo, mas o caricaturista/humorista tem um sétimo sentido (já que o sexto é especial das mulheres) com o qual vê o mundo numa visão cósmica, superior, e da qual retira a força irónica ou satírica para o seu trabalho.
Claro que também se pode fazer humor ou caricatura/humor através da ordinarice, da pornografia de espírito, mas esse trabalho não provém do sétimo, mas da falta de sentido.
A visão universal do humorista dá-lhe a distanciação necessária aos acontecimentos contemporâneos, na mesma medida que os séculos a dão ao historiador. O humorista para ter essa análise objectiva, essa «fracção de juízo», tem que ser não só um bom técnico, um artista, mas também um sociólogo, um perito de política nacional e internacional, um captador de mentalidades, de espíritos, do Ser. O humorista é o homem que numa síntese nos apresenta a essência da pessoa / objecto / acontecimento de uma forma apreensível e, humorística.
O que é uma forma humorística para o público? Sebastião Sanhudo em 1880 (25 de Abril), no seu jornal "O Sorvete» (nº 100, pág. 317), dá-nos um excelente retrato do «Gosto do público pelos jornais satyricos»:
«Quando insere caricatura ou artigo sem alusão pessoal: Hum!... Hoje não tem graça!... Isto está aqui, está a cahir! Bem podem tratar d' outro ofício que este não rende...» «Quando insere caricatura e artigos alusivos ao vizinho: Isto sim! Isto é um jornal com pilhéria! Este rapaz tem habilidade! Gosto muito d' este jornal porque tem muita graça e não ofende!...».
«Quando insere caricatura ou artigo alusivo a si: - Irra!!! Parece incrível que as leis d' este país consintam que se publiquem papéis d' esta ordem!!! Não haverá um polícia que prenda estes senhores que se divertem à custa do cidadão honrado e inofensivo?!!! Irra!!!»
Não é fácil para o caricaturista/humorista agradar a todo o público, a todas as facções, e mais difícil é ser aceite pelo meio político já que ele faz uma arte de crítica, de opinião que pode ferir profundamente os fanáticos, ou irritar os comodismos. Se o humor é a última coisa que se pode roubar a um povo, a liberdade de opinião é a primeira vítima dos despotismos políticos. Por isso já Raphael Bordallo Pinheiro se revoltava: «Não nos esqueçamos de que a supressão da imprensa às claras autoriza e desenvolve sempre a imprensa às escondidas. A liberdade amordaçada resvala sempre na licença sem pudores e sem balizas; e, quando o demónio quer, vai mesmo até à pornografia mais hedionda».
«A lei da Imprensa é infame. Não coíbe com lealdade, está cheia de alçapões e d' entrelinhas, faculta e premeia a espionagem, quem na fez tem medo da opinião.» (In Pontos nos ii 10/4/1890).
A lei da Imprensa, ou a «lei das rolhas» é uma das constantes preocupações governamentais com o desejo de controlar as opiniões e críticos, principalmente o caricaturista / humorista, já que, como diz Afrânio Peixoto, «o riso é um desafogo, uma revolta, uma vingança da nossa personalidade constrangida à atenção, à coerência, ao respeito, ao medo, que nos são impostos por nós mesmos ou por outrem».
Os políticos, homens do Poder, dirigentes têm medo desta crítica porque os desmistifica, humaniza-os, ridiculariza as suas imagens, não perdoa fraquezas, abusos, mentiras, ou falsas promessas.
O caricaturista/humorista vê a vida, os acontecimentos, o mundo através de um prisma cómico, sem perder o respeito pela humanidade, e por ele próprio, apresentando-os de forma a provocar o sorriso ou riso no primeiro tempo, mas provocando ao instante seguinte a reflexão.
Partindo de uma ideia, ele procura aquele pensamento quase imperceptível, aquele gesto de que ninguém tinha notado, mas que sem eles já não era o mesmo. Então, o caricaturista com o seu jogo de linhas, ou palavras, capta o resumo, a síntese da ideia/objecto, ao mesmo tempo que se expressa a si mesmo, já que a caricatura é o encontro de duas assinaturas com a autentificação de uma terceira. Numa caricatura tanto se deve reconhecer o caricaturado, o caricaturista, autenticada pelo público que reconhece ambos.
Um indivíduo pode pois ter tantas versões da sua caricatura, quantos caricaturistas a façam, porque o artista original tem tal personalidade que imediatamente se deve reconhecer o seu traço, o seu estilo, o seu espírito de análise - a sua assinatura.
O caricaturista/humorista é pois o operário do riso como labirinto filosófico, do jogo da inteligência para a inteligência, da síntese do mundo. É um homem como os outros, só que com «fracções de juízo» para ver melhor o mundo.

Monday, September 25, 2006

Caricaturas Crónicas 2

A CARICATURA UMA ARTE EFÉMERA
Por: Osvaldo Macedo de Sousa

O hábito do jornal, o comprá-lo todos os dias, folheá-lo, ler os títulos ou os artigos que interessam, comentá-los, e pousá-lo, tudo em movimentos automatizados, faz com que mal pensemos no jornal, e seu conteúdo para além desse breve momento de leitura.
Isto, porque todos os dias o jornal nasce, envelhece, para renascer no dia seguinte com novas notícias, acontecimentos, sempre com algo de novo.
Após a sua breve existência perde-se num sótão, num autocarro, mas dele fica sempre alguma coisa, uma história, um novo conhecimento, uma anedota. É o admirável exemplo de uma coisa que, dia após dia, se ri da morte da véspera,
Ora, o jornal não é um simples amontoado de notícias e conhecimentos, mas a vida comentada e ilustrada por palavras, desenhos, ou fotografias. É a vida narrada com simplicidade ou com arte. Uma destas artes do efémero é a caricatura e o cartoonismo.
Se o factor do humor é já um handicap para ser encarado como uma obra de arte "séria" esta existência breve agrava a sua aceitação entre as chamadas artes maiores. Uma arte que é vista num breve minuto, sendo trocada de imediato por um título chamativo, e lançada para o esquecimento, é uma arte que se perde na voragem da procura do conhecimento breve, e que no fundo é desconhecida do grande público.
O que é a caricatura? O termo, que provém do italiano caricare, tem como significado "exageração", mas, como alguém dizia no século XIX, a caricatura pode ser "a mais divertida maneira de desenhar". A· caricatura é a êxageração da natureza, é o burlesco do carácter, é uma forma de humor:
E que é o humor? O humor para Pawloski não é senão o "velho método socrático, que consistia em colocar um simples espelho moral diante das ideias humanas e de curar as pessoas apenas pelo espectáculo homeopático de seus males".
No início, a caricatura era simplesmente um confronto com a realidade, como que uma busca do feio. Era seguir as sombras das figuras, ora alargando-as, ora alongando-as, ora espartilhando-as, vincando nas linhas das sombras humanas o próprio riso. Depois a evolução da estética. Da filosofia e do gosto, as normas de beleza foram-se alterando, perdendo esta a sua prioridade no ideal, ao mesmo tempo que a caricatura ia perdendo o monopólio do "não bonito". A caricatura deixou de ser uma simples exageração da realidade, deixou de ser o "retrato do feio", para ser antes de tudo um "estado de espírito". A caricatura transformou-se numa "posição mental" tomada tanto pelo criador como pelo receptor. Ela já não deve ser algo que se "vê", mas algo que se tem de descobrir. Deve ser feita da inteligência para a inteligência, assim como todo o humor. De todas as formas o sorriso, ou o riso pertencem à caricatura, não só como reacção crítica mas também como arte de persuasão.
A sorrir, a rir ou ranger os dentes, a caricatura é uma arte de humor que pode tratar da simples anedota à política. Como arte de política pode utilizar a sátira social, ou a crítica directa aos políticos, e como tal é um dos fundamentais documentos tanto dos estilos artísticos da época, como dos costumes, ideais, Governo e sua oposição.
Devido a esta última faceta, a caricatura ultrapassa a simples expressão estética ou sociológica para ser um risco, ser uma ameaça tanto para os governos como para os artistas. Para os primeiros é a irreverência, a revolta, a crítica contra a sua má política; para os segundos pode ser a censura, a perseguição, as multas, a prisão ou exílio. Uma boa caricatura pode ser mais convincente e mais directa que qualquer discurso da oposição, ou artigo de jornal.
A caricatura, como qualquer desenho de humor é uma arte do quotidiano, vivendo do momento, da actualidade, e como tal efémera. Relembrar a sua existência, ou seus autores, é recordar a história, a política e a visão crítica de uma época.
Este artigo é, a introdução a uma série onde procuraremos redescobrir os mestres da caricatura Portuguesa, os temas que mais preocuparam os caricaturistas e a sociedade.

Sunday, September 24, 2006

Caricaturas Crónicas

CARICATURAS CRÓNICAS

Por: Osvaldo Macedo de Sousa

Viver a vida como um sorriso é uma utopia, mas infelizmente é a única saída para a nossa sobrevivência mental neste mundo de loucuras.
A vida, segundo os dramaturgos do poder (político ou religioso), é apresentada como uma Comédia que deve ser encarada como uma Tragédia, cenógrafa em tons cinzas e violetas. Mas, a natureza ensinou-nos que este pequeno melodrama não passa de uma tragédia que deve ser vivida como uma Comédia.
E de tragicomédia em tragicomédia eles diabolizam-nos a alma, instigando-nos a viver na dor, no medo. É esta sombra eterna e macabra que nos transforma em seres “sérios”, tristes, engravatados, pessimistas, advogados, niilistas, economistas… ateus e descrentes do Humor.
A sacralidade do Humor tem sido ao longo dos séculos aviltada por iconoclastas (políticos e religiosos), que em renitentes heresias insistem que Deus não Ri. A religiosidade é crença, mas acima de tudo sapiência, compreensão… e não há forma mais inteligente de se compreender o mundo que pelo seu lado humorístico. Descarnar a hipocrisia, a falsidade, a demagogia é função dos caricaturistas que devem combater o anedotário brejeiro que é a política humana.
Nestes momentos em que em nome de fundamentalismos anti-religiosos, ditos muçulmanos, cristãos, judaicos ou políticos, o direito ao Humor é posto em causa, somos obrigados a reflectir sobre o papel desta arte na sociedade contemporânea.
Sem dúvida que há falsos missionários, falsos ministros da religião, mas os verdadeiros crentes do humor, o papel dos verdadeiros caricaturistas / cartoonistas é a do “grilo falante”, a consciência pertinente e incomoda do nosso dia a dia. É certo que os adultos já não acreditam em fábulas disneyanas, em “grilos falantes”, mas que há milhares de Pinóquios, há.
Os humoristas não são os detentores da verdade pura, apenas um raio X em espelho dessa verdade. Os humoristas não são detentores do segredo da vida, apenas investigadores nunca satisfeitos. Mas os cientistas garantem que o segredo da vida é apenas uma espiral. A essa helicoidal da vida dá-se-lhe o nome de ADN, abreviatura de Antes – Depois – Nada, já que a essência do Homem é viver na saudade do antes, sonhar sem ousar no depois, vivendo no pessimismo do nada quotidiano.
A espiral do ADN é igual à espiral do tempo que faz evoluir a vida numa circulação ascendente do nascimento à morte (excepto dos que vão para o inferno que segundo as ultimas investigações não é no céu mas aqui na terra), numa constante repetição de nadas que monotonamente nos dão a tranquilidade de uma vida triste sem sobressaltos.
Olhando com olhos subjectivos de historiador, verificamos que os erros do passado se repetem eternamente, e o papel dos caricaturistas não passam repetitivas mnemónicas que nos fazem rir do dia a dia, mas que não rectificam o ADN dos governantes.
Em 2006 comemoro vinte e cinco anos de produções no âmbito do Humor, já que a primeira exposição realizei-a em Setembro de1981, em Vila Real (Casa de Mateus – Stuart Carvalhais – vinte anos após a sua morte). São anos de muito esforço, de mais de quatro centenas de eventos (exposições, conferências, concertos, festas da caricatura…), mais de duas centenas e meia de edições. São vinte e cinco anos de trabalho que em nada alteraram a paisagem cultural e anímica do país, e muito menos o campo humorístico, mas apesar disso, gostamos sempre de acreditar que todo o nosso esforço, todo o nosso cabelo branco, a nossa entrega a uma causa tem os seus fruto, que serviram para alguma coisa. Por isso, e apenas por isso, sonhei poder comemorar comigo próprio este aniversário, com a recuperação de uma série de textos insignificantes que foram lidos na imprensa, e depois serviram para o cão mijar, para recolher as espinhas do peixe escamados, ou na melhor das sortes, servir de embrulho a castanhas quentinhas.
São uma selecção, dos mais de centena e meia de textos sobre caricatura que escrevi para o Diário de Notícias entre 1884 e 1991, escritos esses que acompanharam o meu desenvolvimento na investigação sobre esta arte. São Crónicas dominicais que se debruçavam tanto em dados biográficos, como temáticos, numa perspectiva de que os males são crónicos, e que por vezes basta mudar apenas os fácies dos governantes para esses desenhos oitocentistas manterem a actualidade nas suas críticas. É do grupo de crónicas temáticas que se baseia esta recuperação de textos, porque considero que sendo Caricaturas Crónicas, infelizmente mantêm a actualidade, seja em que ponto da espiral esteja.
Gostaria de ter a arte de sorrir e fazer sorrir, mas não passo de um investigador trombudo, pessimista que ao mergulhar neste mundo amargo da crítica política, fui ficando cada vez mais niilista, rabugento, refilão. Só espero que esta deformação profissional não se torne crónica, e que consiga por em prático o que costumo pregar em relação ao sorriso. Sei que os textos se repetem, como é monótona e repetição das críticas que batem sempre nos mesmos (sejam eles diferentes de nomes), e custa-me deixar uma mensagem tão amarga, mas se olharmos esta tragédia como uma comédia talvez consigamos recuperar o sol do sorriso.
Por estes vinte e cinco anos de trabalho tenho de pedir desculpa aos caricaturistas por ter entrado no seu espaço de criatividade, por ter sentenciado sobre artes que não sei criar, por ter desvendado as suas vidas artísticas. Quero agradecer-lhes a sua arte de estéticas sempre renovadas, a sua generosidade social, as suas visões humorísticas, e acima de tudo a sua amizade.
Certamente serei injusto ao referir nomes, porque é impossível mencionar todos aqueles que me apoiaram, incentivaram, me abriram portas… porque se uns foram importantes apenas num dado momento, tem sempre repercussão no futuro. Uns foram companheiros de loucas aventuras, outros complacentes de irreverências. Uns mantiveram uma amizade constante, outros infelizmente pequenos nadas nos afastaram, e se perderam infelizmente belas amizades. Dizem que é assim a vida.
Pessoas que são responsáveis por grande parte desta minha louca travessia de um quarto de século com o humor gráfico são: Elísio Amaral Neves, António Pires Cabral, Mário Mesquita, José Carlos Vasconcelos, Vasco, António, António Valdemar, Maria de Assis, Fernando Santos, António Gomes de Almeida, António Inverno, Cid, Zé Oliveira, Eduardo, Orlando, Joe Szabo, Benito Losada, Ermengol, Juan Garcia, Gogue, Omar, Siro Lopez, Xaquin Marin, Luís , Nelson Dona, Cristina Gouveia, Eugénio Montoito, Elvio Melim de Sousa, Elisabete Brito, João Mário Mascarenhas, Luís Humberto Marcos, Luís Filipe, Emílio Ricon Peres, Arons de Carvalho, Fernando Calhau, António Ruela Ramos, Jorge Galamba, Carlos Rico, Bandeira, Rui, Luís, Zé Manel, Maia, Metello, Zíngaro, Varella, Ferreira, Paulo, Artur, Ricardo, Laranjeira, Per… e tantos mais.
Muito obrigado a todas as autarquias que me apoiaram, principalmente Vila Real onde nasci para esta actividade com a primeira exposição em 1981, com a edição do meu primeiro livro em 1983, com a meu primeiro Salão em 1987 e onde mantenho actividade com grandes laços de amizade e humor nas pessoas muito especiais de Pedro Chagas Ramos e Manuel Martins.

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