Monday, April 20, 2026
MORREU a Bienal de Humor Luíz d’Oliveira Guimarães – Espinhal / Penela – Portugal
Queridos artistas e amantes do humor gráfico que ao longo destes últimos 45 anos de actividade, como historiador e principalmente como produtor de eventos de caricatura me tem acompanhado e apoiado, venho, por este meio, anunciar que a excelente, triunfante Bienal de Humor que se realizava em Penela, após 18 anos de vida, acabou. Não é por falta de adesão de artistas e público. Não é por falta de condições económicas. Forças estranhas, incompreensíveis, resolveram destruir este projecto que era não só um balão de oxigénio local como internacional. Todos sabemos que a vida é mesmo assim e nada dura para sempre, mas é doloroso ver algo saudável ser morto assim.
No cômputo geral, esta Bienal, dentro da quase uma dezena de concursos que criei, esta é a iniciativa onde consegui o maior êxito geral:
a) a que alcançou o maior índice de participantes, nacionais e internacionais;
b) a que chamou a atenção de artistas do maior numero de países do mundo;
c) a que atingiu o mais alto nível estético e filosófico;
d) a que teve maior impacto mundial, não só entre artistas, como do público em geral que segue este evento pelas redes sociais (facebook/Linkedin/sites…). Um exemplo – o catálogo do 50 Ícones da Resistência… tem sido traduzido e publicado no Irão, porque ficaram impressionados pelo trabalho e pediram se podiam divulgar as caricaturas e as biografias de tão importante trabalho. Todos os catálogos são partilhados em pdf por outros sites internacionais para chegar a mais públicos;
e) a que teve maior reconhecimento entre os principais organismos controladores dos Festivais Internacionais, porque fomos um farol internacional dos humores importantes no mundo;
f) se o nosso principal alvo é o publico local, não os podemos esquecer desses milhares de indivíduos que também acabam por ser privilegiados com este evento;
g) a que tem esgotado, quase logo, os catálogos, elemento fundamental para mim, porque se as exposições são apenas efémeros momentos vivenciais, os catálogos são a perenidade das obras expostas, local onde se regressa, vivencia, desfruta de tempos a tempos ao longo dos anos e por muitas mais pessoas. Eu quase viveria sem a exposição, realizando apenas o concurso e a publicação dos catálogos;
h) este é o Salão onde tenho tido mais pessoas nas inaugurações / entrega de prémios com a adesão de toda a população local a quem agradeço a adesão, cumplicidade e simpatia.
Os optimistas dirão que termino em grande!
Vivemos tempos tenebrosos e o humor é cada vez mais perseguido e calado.
Osvaldo Macedo de Sousa (Humorgrafe)

