Wednesday, May 01, 2013

Dou-te uma filia se me deres uma fobia – Crónica Rosário Breve por Daniel Abrunheiro



 Não somos um país pobre. Somos um país de pobres. São coisas muito diferentes. Pobre é quem não pode. De pobre é de quem não quer. E de quem, portanto, não crê.
Nenhum país de gente a sério seria capaz de empobrecer vitaliciamente com todo este mar à janela, todo este solo tão generoso à porta e todo este clima como idêntico outro não há em quintal geográfico algum. Também somos um morredouro de pobretes parvo-alegres. Exercemos sem pudor e sem consciência a paradoxal idiotia de, não nos lembrando de quase nada (olha a História, estúpido!), pedestalizar a honras de palavra-pátria o substantivo “saudade”. De anfractuosidades dentárias pejadas de broa rilhada e de jaquinzinho moído a cuspo, ouvimos o fado como quem se injecta de vinagre com açúcar amarelo. Mais (e pior): somos quase todos hibristófilos, paranóia derivada da mariquice a que os ratolas dos psiquiatras chamam coulrofobia. Abrindo o livro:
1) “Hibristofilia” é a veneração doentia por alegadas celebridades, da Maya charlatã ao Marcelo leitor de capas de livros, do histriónico Baião ao bacoquismo separatista dos mútuos clones Alberto João/ Jorge Nuno, do papa novo que antiargentinamente corpuscristou a hóstia nas fauces do genocida Videla ao casalinho-é-não-é-agora-sim-daqui-a-bocado-anavalho-te-o-plasma Djaló/Floribela, que deveriam ser presos ambos por terem baptizado as filhas com nomes de posologia farmacêutica em tailandês. Sim, somos hibristófilos, não há que abjurar.
2) “Coulrofobia” é ter miúfa/cagufa de palhaços. Ora, ter medo de “clowns” será próprio de crianças hipersensíveis criadas por padrastos dados à bissexualidade, à cocaína e ao sonho de ter um monte alentejano como os que aparecem sempre nos inquéritos de Verão do Expresso, mas é impróprio de um povo adulto com quase 900 anos de História como o Manoel de Oliveira. E votar neles é ainda pior, porque indesculpável não é o erro, é o repeti-lo tanta vez, porra.
Eu não quero saber para nada dos imbecis dos Islandeses, essas bactérias criogénicas que parece terem vo(l)tado a empoleirar no poder os mesmos facínoras de direita que lhes comeram as casas, as filhas e a arquibancada central de assistir àquele cabrão de vulcão lá deles que mata frotas aéreas como nós por cá varejamos moscas. Eu quero saber é dos Portugueses, essa heróico-pícara grei de tremoç’ó’pevid’amendoim pinoquialmente capaz de um Sócrates e soporiferamente incapacitada de um Excel-lento Gaspar, que eu nem a um nem a outro empregaria como irmanador de peúgas num lar de pernetas.
Extinto o cambalacho das nóvóportunidades, que nos resta senão os velhos fiascos? Os sem-abrigo agora têm todos (pinoquialmente etc.) o 12.º ano, diploma que ainda ninguém me provou estar na posse do Miguel R. (R de “raposa”). Ai têm o 12.º? E agora? Vão licenciar-se em quê? Em Instalação & Detonação GPL num Multibanco Perto de Si? E doutorar-se em que semântica executivo-operatória? Em Carjacking Romeno-Angolano a Crédito-BPN?
Tende cá paciência, ó parvo-alegretes. Paciência e prestidigitação: encarando Portugal como cartola, seríamos todos mágicos, mágicos a ponto de a primeira coisa a fazer sem mais delongas consistir em tirarmos o Coelho da Cartola, não sei se estão a ver, nada na manga, ó manguela. A seguir, perceber de vez que o euro não é moeda unitária nenhuma, é mas é o lobo do marco alemão com pele de cordeiro a imolar na mesma ara sacrificial de onde começaram duas guerras mundiais para os inumeráveis (mas enumeráveis) milhões de mortos e estropiados do costume.
Finalizo concordando a priori com tudo quanto, a este e outros propósitos, Cavaco não pensar - e acusando tudo quanto ele não disser, que eu pobre ainda posso ser, agora coulrófobo é coisa que nem a minha a tia, quanto mais o pai das minhas ricas filhas.

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