Wednesday, May 30, 2012

Entre polvo e “pobo” Cronica de Daniel Abrunheiro

As pessoas acham que EDP é Electricidade de Portugal. Não é. A sigla significa isto: Efectivos Donos de Portugal.
As pessoas acham que a fraude do BPN daria para repor não sei quantos subsídios de natal & férias. Não dariam. Mas seriam “coiso”, para citar o Alvarito ministro do Desemprego, para chegar ao pagamento de mês e meio de salários (sem os prémios) aos efectivos-donos-de-Portugal, mais os penteados da Catarina Furtado na RêTêPê, mais um fim-de-semana a meia-pensão-sete-estrelas em Vila Praia de Zanzibar aos casais Henrique Granadeiro & Senhora / Zeinal Bava & Consorte.
As pessoas também acham que o “pobo” não é estúpido. Acham mal. A maior parte dos Portugueses acha que nunca se vai ver grega. É quando os Portugueses, em vez de Portugueses, se dão ao luxo (ou ao lixo) de ser só “pobo”. Quando se derem por achados, darão consigo mesmos sujeitos ao Duarte Lima chefiando o Ministério da Justiça, ao Vara nas Finanças, ao Isaltino na Procuradoria Geral da República e, por bónus gorduroso, com o Super Silva SMS Carvalho porteiro da Lux e da Kapital ao mesmo tempo, isto se o Pinto Balsemão não comprar o Público entretanto só para fazer pirraça ao Marcelo Rebelde de Sousa.
Entretanto, o Fernando Mendes e a Fátima Lopes (a dos gritos, não a dos vestidos à francesa) dizem mal do Goucha levar injecções vitamínicas para não envelhecer a partir do pescoço. Súbito, aparecem o Nicolau Breyner, o Júlio Isidro e o Herman José muito aflitos a ganir coisas tipo se a RêTêPê desaparece o que é que eu faço da minha vida, estimo bem que tu te lixes mas se a RêTêPê desaparece o que é que eu faço da minha vida.
Lá mais no fundo, porém, onde o ex-povo não toca, Bernardo Sassetti morreu. Era só um pianista, não tocava alto nas feiras, não bajulava vereadores nem corredores nem dava passos perdidos. Sabia e era música. Pouco mais tinha do que quarenta anos. Ouço-o ainda, por vezes, no escuro da minha sala. Desisto da burridade do “pobo”, desisto de acender a luz da sala, ponho Sassetti vivo outra vez e faço de conta que ninguém é dono de mim nem de Portugal.

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