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Wednesday, June 17, 2026

š€š¬ š¢š¦ššš šžš§š¬ šž šš š«šžš¬š¢š¬š­šž̂š§šœš¢šš - Uma conversa integrada n’ O Riso Dissonante com António Jorge GonƧalves, Cristina Sampaio e moderação de Pedro Moura, 20 de Junho, Ć s 15h30 na Casa da Achada – Centro MĆ”rio DionĆ­sio (perto do Largo do Caldas – Lisboa)


  O que Ć© um que um desenho “faz”? Pelas razƵes da sua materialidade, capacidade de concentração de significados, eficĆ”cia e velocidade, um desenho leva a respostas afectivas muito vincadas. Um cartoon polĆ­tico ou editorial – palavras que merecem rigor na sua compreensĆ£o e uso – tira partido tanto de instrumentos de sĆ­mbolos localizados e culturalmente determinados como de estratĆ©gias um pouco mais universalistas: mas onde estĆ” o seu sentido de equilĆ­brio? Existe uma espĆ©cie de consenso (podre, como todos os consensos) de uma certa “linha de decoro” no discurso pĆŗblico, e o cartoon faz parte dessa esfera, mas nĆ£o Ć© a sĆ”tira uma ferramenta de hipĆ©rbole (visual e conceptual) que deve rasgar essa linha para conseguir electrificar e despertar o leitor de uma situação normalizada?

            As imagens foram sempre empregues, ao longo de toda a história humana, como instrumentos de propaganda, expansĆ£o dos poderes, inscrição própria e acusação do outro, demonização dos diferentes ou descoberta de comunidades. Mais recentemente, elas passaram a ser instrumentos de democratização e revolução: qual a responsabilidade do cartoonista perante essas possibilidades?

            Existem actos criativos nĆ£o-polĆ­ticos (ou actos nĆ£o-polĆ­ticos?)? HĆ” alguma diferenƧa nos meios (desenho, animação, sequĆŖncia), veĆ­culos (jornal, televisĆ£o, revista literĆ”ria, mural, web, instagram) ou mesmo tipologia (caricatura, retrato social, charge, comentĆ”rio visual)? Existem outras possibilidades de participação social do cartoon? O mundo digital multiplica (empoderamento, democratização dos meios) ou delimita (“shadowbanning”, “enshittification”) as vozes? Treina apenas uma resposta efĆ©mera e algorĆ­tmica de clickactivismo ou atĆ© esteticiza tĆ£o-somente o sofrimento polĆ­tico ou hĆ” algum impacto efectivo?

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