Sunday, June 10, 2012

Vimaranenses ilustres (11) - Eduardo de Almeida… por Miguel Salazar

 
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Eduardo Manuel de Almeida Júnior nasceu em Guimarães, no dia 3 de Fevereiro de 1884.
Estudou no Colégio de S. Dâmaso (actual Convento da Costa) e licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra.
Eduardo de Almeida foi sempre um inconformado, o que o levou a escrever, ainda em Coimbra e em parceria com Alfredo Pimenta, um polémico folheto intitulado “Burgo Podre” (1902).
Por esta altura, Eduardo de Almeida era já um republicano convicto. Foi-o sempre.
Depois de regressar a Guimarães, veio a revelar-se um causídico extremamente competente. Um dos casos mais famosos que defendeu, e venceu, foi o de Antónia de Macedo. “Tiça” (como era mais popularmente conhecida) era acusada de triplo infanticídio, mas a brilhante defesa de Eduardo de Almeida foi tão eloquente que acabou por ser absolvida de todos os crimes de que era acusada.
Em 1909 foi para o Porto, onde abriu um escritório de advocacia com Alfredo Pimenta.
Com a instauração da República, regressou a Guimarães, onde veio a ser o primeiro Administrador do Concelho, do novo regime.
Foi Deputado por Guimarães e, mais tarde, Chefe de Gabinete do Ministro das Finanças do Governo de Bernardino Machado.
Após se ter retirado da política activa, em 1915, foi redactor-principal do jornal O Republicano e Director d’ O Povo de Guimarães (1931).
Depois de 1910, a Sociedade Martins Sarmento (SMS) atravessou um longo período de crise gerado, não só pelos graves conflitos ocorridos entre a sua Direcção e a Câmara Municipal, mas essencialmente motivado por uma postura retrógrada, e ostensivamente anti-Republicana.
Só em 1921, com a nomeação de Eduardo de Almeida como Presidente da Direcção, a SMS foi capaz de recuperar o seu fulgor, reassumindo o seu papel fundamental na dinamização cultural da cidade, na defesa do património histórico, arqueológico e artístico, e de voltar a ser o principal promotor de instrução popular.
Com Eduardo de Almeida, a SMS recuperou finalmente o seu enorme prestígio, dando início a um novo ciclo que permitiu que a sociedade seja aquilo que é hoje.
Foi também nesta altura que se retomou a publicação da Revista de Guimarães.
Em 1926 terminou o seu mandato, e foi proclamado Sócio Honorário, pelos “relevantes serviços prestados”.
Voltou a ser Presidente da Direcção entre 1929 e 1931, e ainda em 1945 e 46.
Eduardo de Almeida foi um notável orador. O discurso que proferiu aquando das comemorações do centenário do nascimento de Martins Sarmento (hiperligação no final do artigo), é disso um claro exemplo.
Eduardo de Almeida foi também um escritor, tendo sido autor de algumas obras de ficção (entre elas, “A Lama”, em 1905). Colaborou com várias publicações periódicas e escreveu o seu primeiro artigo na Revista de Guimarães, em 1906. Dedicou-se aos estudos jurídicos e sociológicos. Fez investigação histórica, e publicou uma notável série de estudos dedicados à história de Guimarães.
Eduardo de Almeida morreu em 1958, estando sepultado no cemitério da Atouguia, ao lado de dois outros grandes escritores portugueses – Carlos Malheiro Dias e Raul Brandão.
Fernão Rinada

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