Tuesday, October 28, 2008

LOUIS HELLMAN - Prémio AmadoraCartoon 08 em exposição até 9 de Novembro nos Recreios da Amadora

Natural da Grã-Bretanha (1936), iniciou os seus estudos normais em 1947 no Cardinal Vaughan School, e arquitectura a partir de 1955 no Bartlett – UCL, complementados na Ecole des Beaux Arts de Paris. De 1963 a 67 trabalhou com Yorke Rosenberg Mardall; de 1967 a 72 no GLC/ILEA; de 1974 a 79 com Spastics Society (SCOPE) de Londres; e a partir de 1979 em atelier privado, especializando-se em edifícios para pessoas com deficiências.
O desenho é a arma principal de qualquer arquitecto, ultrapassando muitas das vezes o estirador do desenho técnico, e Hellman não se entregou apenas a complementar seus edifícios com designs de interior, mas com designs de irreverência pedagógica, desconstruindo o seu universo para melhor compreensão desse mundo. Por um lado à o Hellman investigador, com trabalhos sobre a historia, a evolução da arquitectura em artigos e estudos pedagógicos, por outro o humorista, porque não há verdadeiro pedagogo sem o olhar desconstrutivo da filosofia humorística.
Sua colaboração na imprensa espalha-se por periódicos como The Architect’s Journal, Building Design, Design Week, Build Environment, Progressive Architecture, Private Eye, The Observer, The Evening Standard, Punch, The Guardian, The Spectator, New Society, Euromoney, Access By Design… ou Architectural Review. Foi para esta ultima publicação que L.H. fez as caricaturas que motivaram o convite para a Amadora.
São as originalíssimas Archi-Tetes, criadas sob o efeito Arcimboldo, ou seja reconstruir a imagem do arquitecto com o auxílio do estilo, da obra criada pela própria vítima satirizada. Hellman explica-nos a ideia que está por detrás desta criação: “Penso que o que a arquitecturamoderna pertendia, era que o design fosse matéria de análise e de racionalização mas, obviamente, não é. Os arquitectos projectam de acordo com um determinado gosto pessoal, reflexo das suas próprias personalidades. Esta foi a ideia por detrás de Archi-Têtes. Os arquitectos são como os edifícios que projectam. Existe, actualmente, um interesse pelo antropomorfismo na arquitectura, a ideia que os edifícios têm caras, corpos além de fachadas. Todo o vocabulário arquitectónico está relacionado com a forma humana e utiliza metáforas para o corpo e para a natureza. Foi pois essa quantidade de elementos que surgem simultaneamente nestes trabalhos.”
Estas caricaturas foram reunidas em livro em 2000 com o titulo “Archi-tetes. The Id in the Grid” (Wiley/Academy), existindo contudo outras publicações anteriores como “A is for Architect” (Trend Publishing Singapore 1973); “All Hellman Breaks Loose” (Aecus Ltd, London 1980); “Architecture for Beginners” (Writers & Readers, London /USA 1986); “Do it with an Architect” (1999); “Architecture A to Z. A Rough guide” (Willey/Academy 2001) No âmbito de exibição publica de seus originais pode-se apontar a colaboração anual com a Royal Academy Summer Exhibitions desde 1989, ou exposições individuais: 1979 - Architectural Asociation, London; 1991 e 1993 Interbuild, NEC Birmingham; 1996 - Nasle; 1997 - Cambridge; 2000 - Soane Museum, London; 2001 – Barcelona (Espanha); 2005 – Col-legi d’Arquitectes de Catalunya – Lleida (Espanha); 2006 – Shrawsbury; 2008 – Amadora (Portugal).
Em 1983 recebeu um BEM pelos serviços à Arquitectura e um Honorary Degree pela Oxford Brookes University em 2002.
Em 2008 é homenageado no XIX FIBDA com o Prémio AmadoraCartoon 2008

EXÍLIO DE LEAL DA CÂMARA EM MADRID

HUMOR Y TURISMO FORÇADO
OU O EXÍLIO DE LEAL DA CÂMARA EM MADRID


Conferencia realizada a 25 de Outubro 2008 na Universidade de Granada, integrada no II Encuentro Internacional de Humoristas de Granada
Por: Osvaldo Macedo de Sousa

O turismo está na essência do Homem, mais não seja ir à esquina comprar tabaco ou tomar um copo com os amigos, tudo só para não se sedentarizar em casa.
Também se pode garantir cientificamente que o turismo está na génesis do Homem, visto a sua irreverência, a gula pelo conhecimento da maça, o ter colocado em turismo forçado para fora do Paraíso. Dizem os teóricos que a arvore da Sabedoria mais não era que o humor, e que a gargalhada que se verificou após a primeira dentada provocou o big-bang, e o mundo ficou tal como é hoje, uma grotesca bola de vida em crise financeira, crise familiar, crise politica ou crise religiosa, consoante o interesse e afinidades de cada um.
Vagueando pelo planeta, o Homem Sapiens foi visitando os melhores campos de caça, os mais belos recantos de abrigo… Sempre que a adversidade invadia o seu espaço, partia em turismo forçado para novos territórios.
A sedentarização, na realidade, não passou de um acto comercial no campo do turismo, já que com este acto político administrativo, criaram-se novas oportunidades de capitalização dos espaços, assim como novos empregos na hotelaria e agências de viagens. O poder assumiu o conceito de viagem como controle fronteiriço de produtos e matérias-primas, para além da vigilância das mentes pensantes ou, simplesmente, turísticas. Criaram-se, deste modo, estruturas de apoio e controle do turismo cultural, comercial e religioso.
Contrariamente, ao que muita gente pensa, o turismo não é uma moda contemporânea. Sempre existiu e os Romanos já comercializavam Guias de Viagem, guias turísticos sobre os pontos, os elementos importantes das principais rotas comerciais, religiosas ou de simples lazer.
Quanto aos turistas forçados, sempre existiram, já que o poder é algo que não combina muito bem com o espírito de irreverência, com o pensamento livre e curioso. Na história, estes turistas tiveram várias designações, como exilados, escravos…
Esta minha vinda a Granada é um acto de turismo não forçado, mas de grande prazer, porque para além de ser uma das terras mais belas da Ibéria, é uma região que recorda espaços de turismo, exílios, tolerância intercultural, irreverência, humor…
E cá estou eu, cá estamos nós neste Outono solarengo, período de castanha e vinho novo a comemorar a Semana Santa. Só mesmo os humoristas, é que poderiam ter criado tal confusão de tempos litúrgicos.
Não me pediram para falar sobre a “via crucis” dos humoristas, ou sobre as alegorias e paródias que o cartoonismo tem usado, ao longo da sua vida, para caricaturar a vida política. Não vou falar das flagelações, paixões, carpideiras, Herodes e Pilatos…
Por outro lado, só um humorista poderia ter escolhido a título da minha conferência. O que me foi pedido, no convite, foi uma palestra sobre algo que unisse, no estudo do humor, estes dois países irmãos na iberocidade. Em Portugal, publicaram-se trabalhos de alguns artistas espanhóis, mas nenhum viveu lá. Em Espanha, creio que nunca houve portugueses a colaborarem regularmente na imprensa noticiosa, ou a cá viver, excepto Leal da Câmara.
Este artista viveu Madrid durante dois anos. Amadureceu aqui como Homem e como Artista, seguindo depois para novos voos. Alguns contemporâneos dele garantem que foi uma presença importante e revolucionária que deixou marcas, influencias. Os investigadores actuais nem sequer referem o seu nome, a sua obra publicada por estas terras.
Resolvi pois vir cá falar sobre este artista, escolhendo como título “O Exílio de Leal da Câmara em Madrid”. Quando recebi o programa descobri que vinha conversar sobre o “Humor e Turismos Forçados”.
É verdade que o exílio é um turismo forçado e quando Leal da Câmara chegou a Madrid vinha em fuga forçada. Também é verdade que em Madrid ele não sobreviveu economicamente, apenas. Pelo contrário, procurou sorver a cultura, a riqueza pictórica dos seus museus, viver os ambientes tertulianos de discussão cultural, a boémia das irreverências, conhecer a sociedade espanhola, conhecer os seus tesouros, seus costumes, suas mulheres… Foi um verdadeiro turista a calcorrear as tertúlias, os teatros, os museus, as verbenas…
Quem é Leal da Câmara ? Tomás Júlio Leal da Câmara nasceu em Pangin - Nova Goa (Índia Portuguesa) a 30 de Novembro de 1876. Viveria até aos 6 anos na Índia, altura em que a família se muda para a metrópole, Lisboa. Pela actividade militar de seu pai, a sua vida sempre esteve moldada pelas saias da mãe, e esse poder ficou mais explícito a partir da morte do pai em serviço em Timor. Esta morte ao serviço de um regime que não lutava pelo seu império entre os grandes, que se acabrunhava perante a ignóbil Albion marcou profundamente a revolta do jovem Tomás Júlio.
Estávamos no início da década de noventa de oitocentos, em que os ânimos nacionalistas andavam exaltados contra a passividade, a subserviência dos governos perante os poderes externos. Em que a revolta germinava contra o imobilismo da nação, contra a usurpação dos dinheiros pela monarquia… A República surgia então como uma utopia alcançável, um projecto salvador para relançar o país no progresso, na soberania do seu império…
Dentro do núcleo das irreverências, das armas da oposição, a caricatura capitaneava na crítica jornalística, tendo como almirante da armada dos lápis litográficos, Raphael Bordallo Pinheiro, rodeado de muitos soldados, quase todos eles armados com o raphaelismo, como estilo dominante. A carreira de Raphael já tinha mais de duas décadas de lutas inglórias na imprensa, e o seu revolucionarismo naturalista dos anos 70, já se ia esmorecendo no cansaço, na divisão de seus interesses plásticos e de sobrevivência, transformando-se, cada vez mais, num academismo estético, e a sua sátira numa ironia cansada de criticar sempre os mesmos erros, as mesmas politicas, indiferentemente de que cara estivesse ao leme do governo.
Leal da Câmara é um estudante com o sangue na guelra, submetido a um poder materno que lhe pesa, por um lado, como uma opressão, por outro como um remorso de eterno agradecimento pelos sacrifícios feitos para lhe dar uma boa educação. Se o bom comportamento se mantém dentro do controle possível, para não sacrificar a mãe, o nervosismo da mão extravasa a revolta para a irreverência, e o seu traço rápido e nervoso está sempre engatilhado para disparar sobre quem merece, para rabiscar um papel, uma parede, uma pedra litográfica…
Em 1896 Celso Hermínio lança o seu “Berro” de revolta, um periódico que apesar de só ter publicado 18 nºs, será um marco de uma nova época satírica. A ironia raphaelista já não satisfazia os gostos dos jovens críticos ao regime, que desejavam avançar para a provocação directa, para a agressividade ideológica que incomodasse os passivos do regime e das oposições. Renasce então o espírito grotesco e panfletário que esteve na origem da sátira politica portuguesa, em tempos do cabralismo. Leal da Câmara inserir-se-á neste espírito como seu lema: “Comentar, causticando”.
Assim nesse ano de 1896, não aconteceu só o “Berro”. Leal da Câmara impor-se-á como uma promessa, como um novo valor satírico. Não nos referimos ao efémero “Inferno” de que ele foi director artístico, mas sim à sua colaboração em o “D. Quixote”, ao lado de Celso Hermínio e João Chagas. Este ultimo, jornalista e republicano activista, foi quem melhor explorou a irreverência destes dois artistas, para o combate que ele queria liderar.
Em 1897 colaborará em “Os Ridículos” e entra na nova aventura no Supl. Humorístico de “A Marselheza”, um projecto de João Chagas. Este último tinha no cabeçalho a gloriosa inscrição: o jornal “de maior circulação em todo o Governo Civil” (onde estava instalada a censura)
João Chagas, que é o verdadeiro mentor de “A Marselheza” escreverá: «Quem é pela monarquia está disposto a morrer com ela: quem é pela República, está disposto a morrer por ela. Cessou toda a propaganda. Entrou-se definitivamente numa fase de combate. Já não é de amigos, secretários ou aderentes que se precisa; é de soldados. Já não se reclamam palavras: reclamam-se armas…» E o lápis será uma grande arma. O batalhão de soldados, para além do jornalista e do desenhador, é composto pelos gráficos e pelos ardinas, todos eles vitimas da perseguição policial.
As apreensões serão constantes, por isso por vezes é necessário imprimir em vários locais, ser distribuído pelos ardinas mais rápidos para que o público consiga ler alguns exemplares. A policia, conhecida como formiga branca, ou fuinhas é pois um elemento vivo da vida do jornal, razão pela qual invade as suas páginas, instala-se no cabeçalho, nas margens… sendo um elemento decorativo de luta pela liberdade de expressão.
As instituições, os políticos decadentes de um rotativismo gasto e estagnado eram zurzidos pela crítica, mas num momento destes de guerrilha, o alvo tinha que ser mais personalizado, e para além dos governantes, o Rei perdeu o estatuto de Nação, para ser simplesmente um gordo esbanjador da riqueza do país, passou a ser um alvo directo da sátira panfletária. O Juiz Veiga não admitia tais insolências, proibindo, a certo momento, o acto de se caricaturar a família real. Nada melhor que uma interdição para aguçar o engenho e em consequência desta restrição nasceram algumas das melhoras caricaturas de Leal da Câmara. Como diria mais tarde Oliveira Salazar, «os verdadeiros pensadores, os que pensam, transpõem, sem ninguém dar por isso /…/ todas as limitações». Foi o que aconteceu – o chapéu à Mazantini, e uma série de objectos, como um barril… passaram a simbolizar o Sr. Proibido.
Apesar de toda a censura, apreensões, multas… “O Supl. Humorístico de A Marselheza”, passou a chamar-se simplesmente “Marselheza” o qual foi sobrevivendo até ao numero 57, morrendo por exaustão e por desinteresse do público já que, entretanto, em Maio de 1898, Leal da Câmara abandonou esta redacção fundando o seu próprio semanário, em parceria com o jornalista Gomes Leal. A batalha prossegue agora, não sob a bandeira do hino francês da liberdade, mas atacando directamente toda “A Corja” que governava o país, desde o Rei ao dirigentes partidários monárquicos, ministros… A primeira capa de A Corja era precisamente a caricatura do Rei feita com o retratos dos políticos que faziam a sua corte. Prossegue assim a sua batalha, com muita poesia revolucionária, lutando por ideais que raramente eram, totalmente, partilhados pelo grande público, antes por um pequeno grupo de idealistas.
A 16 de Dezembro de 1898 o nº17 é apreendido, acto que Câmara já pressentia, por isso tinha já um Suplemento preparado e lançado de imediato para denunciar mais este acto anti liberdade de expressão. Este acto foi a gota de água que os fuinhas esperavam para o caçarem e entregar ao Juiz Veiga. Uma nova Lei facilitava a prisão com julgamento sumário e o envio para a deportação. Felizmente que os republicanos tinham um sistema de defesa montado para se informarem dos acontecimentos antes deles se concretizarem, e assim tiveram tempo de o despachar para fora do país. Assim surge o primeiro exilado da caricatura em Portugal em finais do ano de 1898. Parte para um exílio de 11 anos.

Com a ajuda de cúmplices republicanos, foge para Madrid em Dezembro de 1898. No âmbito pessoal esta fuga para o exílio foi um desastre, mas no aspecto artístico foi uma sorte porque foi obrigado a visitar novos mundos, conhecer outros ambientes, beber de outras fontes estéticas levando-o para uma outra maturidade plástica, que nunca conheceria em terras lusas.


Partiu como exilado político de um movimento ideológico que lhe prometeu apoios em caso de imprevistos policiais, mas que depois só lhe deu apoio na compra do bilhete e na chegada a Madrid, entregando-o depois ao seu destino. Teve que se fazer à vida, lutar pela sobrevivência com as poucas armas que possuía – o desenho.
Como escreverá um dos seus biógrafos, Aquilino Ribeiro, ele foi logo instruído sobre o ambiente espanhol «que não professavam nenhuma simpatia séria pelos portugueses e consideravam Portugal o país da anedota».
«Madrid, de princípio, estarreceu-o – prossegue Aquilino Ribeiro – com as suas grandes artérias e palácios construídos para a prosápia castelhana. Faltava-lhe o ar comum, catitinha e piegas, que dá visco e compadrio às coisas de Lisboa, e essa falta bulia-lhe na alma. Mas que animação! Que ror de mulheres bonitas, estimulantes que nem malaguetas, alegres e vistosas como rosas no roseiral…»
Portugal, na Europa de então, era um atraso de sociedade e Madrid, apesar de na fachada parecer mais opulenta, acabava por ser muito menos pródiga, muito menos progressista do que se imaginava. No âmbito da caricatura, Portugal tinha um historial mais rico no domínio da qualidade de filosofia humorística e de artistas graficamente mais evoluídos. Por seu lado, Madrid possuía uma riqueza pictórica que nada se assemelhava com a pobreza do nosso país, a começar pela colecção d’ O Prado, acabando no movimento de jovens irreverentes que por lá andavam como Picasso, Sancha…
 Tomás Júlio aproveitou para beber, para devorar Goya, Velásquez, El Greco… já que pouco dinheiro tinha para devorar outras coisas. Inscreveu-se na Escola de Belas Artes onde frequentou algumas classes de Moreno Carbonero (artista natural daqui perto – Málaga), assim como frequentou outras Academias, onde predominaram as Academias dos Bares e Cafés onde havia tertúlias de artistas, onde podia executar livremente a sua arte. As tertúlias intelectuais foram o seu refúgio anti-depressivo e os cadernos de apontamentos a sua escola. Copia os grandes mestres, estuda as pinceladas, as cores, as perspectivas, o enquadramento… e nessa amálgama de conhecimentos ligados à sua irreverência caricatural cria um estilo, uma forma de estar que deslumbra Madrid.


O que ele mostra aos seus companheiros de tertúlias fascina-os, descobrindo uma segunda encarnação de Goya e todos querem ser retratados, caricaturados para a posteridade pelo pincel do jovem português. Os mestres da cultura madrilena como Benavente, Manuel del Palácios, Perêda, Sorolla, Benliure, , Compary, Manuel Rodriguez, Moreno Carbonero… todos personalidades de tão grande renome, como de bolsas vazias. «Aqui todos me tem tratado com muito carinho e pena é que não seja o país próspero e rico, onde se ganha muito dinheiro. Infelizmente não o é. /…/ O êxito dos meus pasteis foi estrondoso no meio intelectual, só há um contra: ter de trabalhar de graça. Esta classe de gente, literatos, periodistas, actores dramáticos, poetas e quejandos pagam com artigos, encómios, mas lá esportular-se em metal sonante não se fala, por muitas e várias razões, das quais a principal é esta, que andam sempre a tinir.»

Não lhe pagavam as caricaturas, mas abriram-lhe as portas de alguns jornais de índole cultural ou humorístico («periódicos que pagam mal… quando pagam»). Assim foi equilibrando a sua sobrevivência com colaborações para “La Vida Literária, “Almanach de La Vida Literária”, “Almanach de la Revista Vinícula”, “Madrid Cómico”, “Álbum Hispano Americano, “El Mundo Cómico” (Barcelona), “Illustraccion Americana y Española”, “Revista Moderna”, “La Revista Cómica e Taurina”, “El Imparcial”, “El Álbum”….. normalmente com caricaturas de personalidades da cultura ou charges costumbristas e de sátira internacional: «Não fazem senão insistir para que faça caricatura da política internacional». Claro que como estrangeiro a critica ao governo espanhol estava-lhe interdita. De todas as formas o facto de ter conseguido entrar em todos estes periódicos é notável, como ele próprio confessa à sua mãe: «É preciso notar que Espanha não é Portugal onde só há quatro caricaturistas. Aqui há dezenas em Madrid e todos eles buscam comprometer os outros porque não chega trabalho para tantos. O nome que eu tenho criado em Espanha é o que os franceses chamam um «tour de force» (sabe o que é?) e esse nome, sem modéstia devo dize-lo, já o consegui.»
São dois anos o tempo que se mantém em Madrid e, para sintetizar a sua evolução caricatural poderíamos dizer que em 1898 chegou um desenhador caricatural e em finais de 1900 partiu um pintor caricatural. O domínio do pastel, do óleo dera uma nova consistência ao seu trabalho, ao seu estilo que se situava entre o goyesco e o expressionismo ibérico.
Leal da Câmara, como já referi, não viveu em Madrid, mas sim viveu Madrid com toda a sua irreverência juvenil e múltiplas são as anedotas dessa vivência, mas não queria deixar de me referir a um acontecimento especial, pelas consequências que deixou no meio cultural espanhol, ou seja, o mito da perda do braço de um génio da cultura espanhola. Quem nos conta este episódio, é mais uma vez Aquilino Ribeiro: « ele foi dar a Madrid, ao tempo Abbaye Theleme de curiosas e simpáticas figuras nas letras e na política, Valle Inclan, Luís Bonafoux, Benavente, Pereda, Rubén Dario, Gomes Carrilho, Galanis, Sancha, etc., etc., pessoas que foram retratadas pela sua mão, e se podem ver na casa-museu da Rinchoa.

«Foi na sarrafusca duma tertúlia de arte e literatura que, por causa de Leal da Câmara, Valle Inclan, catedrática de estética, como se titulava nos bilhetes de visita, perdeu um braço. Ramon Gomez de la Serna conta num livro as sete maneiras, segundo as quais se deu «tão deplorando quanta heróico lance». O autor das “Sonatas” atribuía-lhe alta e epopaica origem, se bem que não pudesse comparar-se à da excelsa manchot de Lepanto, autor da D.Quixote. Afinal, a fonte do calamitoso sucesso estava num peguilho de que fora objecto Leal da Câmara, Valle Inclan havendo terçado por ele. Ferido, descurara o go1pe que, infectando-se, acabara por gangrenar-se. A estada de Leal da Câmara em Madrid teve largas e demoradas projecções.»
O caminho da pesquisa, do experimentalismo é sempre mais fácil quando há uma alma gémea com quem partilhar as duvidas, as incertezas e as ousadias. Em Portugal, Tomás Júlio teve em Celso Hermínio esse companheiro da descoberta da sátira panfletária, do republicanismo desenhado com revolta e alma. Em Madrid, o cúmplice no amadurecimento do traço pictórico, foi Francisco Sancha, um humorista da sociedade, um critico dos costumes, um observador do quotidiano: «Dou-me muito com um caricaturista espanhol chamado Sancha que tem um enorme talento e que é o único caricaturista espanhol. Não há outro hoje e não tem havido outro maior depois do grande Goya».

Francisco Sancha Lengo (Málaga 1874- Oviedo 1936) estudava com Moreno Carbonero onde Leal da Câmara o conheceu, e viveu depois algum tempo em Paris e em Londres. No humor dedicou-se à caricatura ou a desenhos de humor costumbrista, dedicando-se também à pintura, ilustração, desenho de móveis… Foi director da revista “Alegria”, colaborou em El Cardo, Madrid Cómico, La Vida Literaria, La Revista Moderna, Gedeón, Alegría!, El Sol, La Voz, Blanco y Negro, La Esfera, Abc, Le Cri de Paris, Frou-Frou, Le Rire…
Ambos trabalhavam numa constante pesquisa de apanhar a realidade grotesca do dia a dia, para poderem conquistar o seu espaço na imprensa madrilena: «Eu sou obrigado a ir a toda a parte, a teatros, a cafés, às verbenas (festas populares) enfim, a toda a parte. Ando sempre com um belo álbum na mão e sempre trabalho, copiando do natural muitíssimo, e só assim eu tenho conseguido um adiantamento tão sensível. Resultado é que para tudo isto é preciso dinheiro, e muito mais em Madrid, onde é tudo caríssimo. Cada álbum custam duas pesetas ou seja um cruzado e hás vezes em que um álbum fica cheio em dois dias.» Tomás Júlio seguia a melhor escola das artes, fazer a mão trabalhando, trabalhando.

Mesmo sem dinheiro, mas sempre com muitos sonhos e projectos ainda idealizou com Sancha a criação de um periódico que, naturalmente, ficou por um simples projecto. Em 1916 o critico de arte espanhol José Frances escreveria - no “El Año Artístico de 1916” - que Sancha e Leal da Câmara «juntos realizaram essa admirável missão de renovar por completo a caricatura espanhola. Porque Leal e Sancha foram os mais decididos inimigos daquele Madrid cómico, absurdo, que durante anos e anos se considerou como empório do génio e da arte /…/ Mais que a Sancha foi a Leal que os caricaturistas espanhóis, que então surgiram, imitaram. /…/ Leal da Câmara, apesar dos seus triunfos madrilenos, breve se cansou de viver em Madrid. Sobretudo de viver mal, porque nunca foram, e então menos de que nunca, um lápis e um espírito rebelde meios muito seguros para medrar em Espanha.»»
Entretanto Sancha parte para Paris com uma bolsa de estudo, e aí consegue trabalho no “Rire” e onde publica trabalhos do amigo Câmara. Entretanto, além deste jornal francês, Leal da Câmara consegue publicar um ou outro desenho em Itália, no Brasil e em Portugal ainda enviou desenhos para “O Diabo”.
Esta partida de Sancha motiva o nosso artista a ir também até essa cidade das artes, como escreve à mãe: «…E olhe, andava há muito, a acariciar a ideia duma passeata a Paris. A estada ali de uns meses só podia fazer-me bem e seria o coroamento feliz dos meus esforços. Escrevi esforços, e a Mamã não suspeita sequer a soma de energia que envolve esta expressão. Não foi um dia só nem dois que fiquei sem comer para poder pagar aos modelos e comprar material. Estas coisas tão molestas digo-lhas, querida Mamã, para que não pense mal de mim e não me suponha enterrado até o pescoço na vida airada. No entanto, creia que ninguém me vê senão de cara alegre, porque estas batalhas não se ganham chorando ou implorando a comiseração do nosso próximo. Tudo isto vem de intróito a eu querer-lhe dizer que o Imparcial, a maior gazeta de Espanha, me propôs ir a Paris fazer umas crónicas semanais para o suplemento das segundas-feiras, consagrado às letras. Olho para o Paris de monóculo, para o Paris o mais possível íntimo, o Paris por detrás das persianas e das fórmulas consabidas de Ville Lumiere, Bal Tabarin, metrópole das artes e letras, numa devassa galante, e cobro uns cem francos por cada artigo. Cem francos, parece muito dinheiro, e nada mais enganoso dada a vida que serei obrigado de levar em Paris, bem encasacado, batendo de tipóia, para poder entrevistar artistas, políticos, gente de clube e de botequim, colher em suma impressões vividas. Antes de partir - pois a Mamã está a adivinhar que aceitei - penso expor os meus últimos trabalhos…»


A sua primeira vontade não era ficar por lá, já que a sua situação profissional em Madrid se ia consolidando, enquanto que Paris era o voltar à estaca zero na luta pela sobrevivência económica, era o regresso à luta por um espaço num território já dominado e explorado por dezenas de grandes artistas. Mas, parece que foi essa luta que o motivou mais, como se pode depreender por estas suas palavras: «… a razão de estarem ali muitos burros facilita-me a entrada nesses jornais e a razão de estarem pessoas de talento, estimula-me para que faça alguma coisa melhor do que as que tenho feito até agora. Enfim, eu quero ir a Paris.»
Partiu para ver os ares e por lá ficou uma década. Rapidamente se impôs na cidade luz como um caricaturista de sucesso, mas o seu espírito curioso e investigador não o deixou adormecer no regaço do sucesso. Para além das questões técnicas ou estéticas (ele experimentou todas as correntes vanguardistas de então, inclusivamente o cubismo), o lado filosófico e social da arte vão-se impondo na sua pesquisa, O papel do artista na sociedade foi uma preocupação sua, levando-o para novos campos como o design de interiores, a decoração, a publicidade, a pedagogia artística. Contudo, o humor gráfico manteve-se como a âncora da sobrevivência.



Com a queda da monarquia, em Portugal em 1910, Leal da Câmara regressaria ao seu país para rever a família e amigos. Ficou quase quatro anos, apesar do regresso ter sido uma desilusão, já que não foi recebido com o carinho e a vontade de publicar desenhos que esperava. Eram novos tempos, e as revoluções nem sempre acarinhavam quem estragou a vida na luta por ela. Ninguém é profeta na sua terra.

Em 1914 tenta recuperar o seu lugar em Paris, mas novos ventos sopravam na Europa, e a Guerra impede-lhe o intento de permanecer em Paris. Perdido entre os dois mundos não tem outro remédio senão voltar para o seu país. Era um turista forçado em ambos os lados.
Intenta liderar o modernismo, intenta educar a caricatura para novos moldes de critica política, novas formas de encarar a arte. O pedagogo vai-se impondo cada vez mais. Não se sente bem estar a satirizar os ex-colegas de luta que são agora regime, que são agora governo. Foi colaborando em “Os Grotescos”, “A Águia”, “A Montanha”, “O Mundo”, “Capital”, “Ilustração Portuguesa”, “A Batalha”, “O Riso da Vitória”, “A Risota”, “Sempre Fixe”, “O Sol”… editou “O Miau”. Em Espanha manteve colaboração com “La Esfera, “España”, “El Zorro”. No Brasil colabora com “A Noite”…

Seria este último jornal que lhe proporcionaria uma nova aventura em Espanha. A ideia era entrevistar as figuras de relevo no campo cultural, político e social sobre a Guerra. Estas entrevistas realizadas em 1916, acabariam por serem, também, reunidas num livro chamado “Miren Ustedes”, em 1917.
Esta viagem foi também o reencontro de amigos que logo aproveitaram a sua presença para lhe pedirem uma conferência sobre um dos seus novos campos de batalha, a Publicidade Artística. Em Paris, tinha-se iniciado nessa actividade criativa e pedagógica, realizando diversas conferências sobre a nova arte da publicidade. Para Espanha realizou diversas campanhas publicitárias encomendadas pela revista Mundo Gráfico (Jabon Flores del Campo). Assim em 1916, já que estava em Madrid, pedem-lhe que faça uma palestra sobre a Arte da Publicidade. Esta realizou-se no Ateneu Cientifico Y Literário Y Artístico de Madrid. Quem fez as apresentações foi Garcia Gaudriz: «Leal da Câmara, todos lo sabeis, es un espanol, ha sido un madrileno. Todas las primeras firmas de nuestra juventud le tutean y mañana mismo van a congregarse para festejarle como merece, como al camarada que regresa al hogar. Pasó por Madrid Leal da Cámara influyendo en nuestra vida, dando un matiz nuevo y una expressión insólita a la caricatura nacional, después se marchó a Francia, donde continuó colaborando con compatriotas nuestros, entre otros Paco Sancha, y allí higo célebre su nombre por todo el mundo. Quien no conoce los periódicos que el fundó y, entre otras cosas menudas é interesantisimas, esa colección de postales de los soberanos de Europa, que ha recorrido y que forma el piso intimo de tantos y tantos estudios y saloncitos? »

Leal da Cámara, como hé dicho, ha influido ya una vez en la vida española; ahora viene, a influir de nuevo. Esta noche, antes que nada, pretende influir en los intelectuales y en los artistas el deseo de salir a la calle, el deseo de dejar la torre de marfil, el deseo de querer la vida…»
Da conferência e seu tema reza assim o próprio: «Expliquei depois o que já tivera ocasião de explicar em múltiplas conferências em Portugal, isto é, o estudo da Publicidade sob o ponto de vista psíquico, e não me esqueci de apresentar o gráfico que mostra os principais estados de alma por que passa um freguês, a partir da indiferença inicial até ao acto da compra, e desenvolvi o que sabem todos os que se dedicam à psicologia, ou sejam várias maneiras de despertar e fixar a atenção, de provocar o interesse, de fazer nascer o desejo e de determinar a vontade.»
Se foi importante para o mundo da publicidade espanhola não sei. Em Portugal acabaria por nunca ser acarinhado e a sua sobrevivência foi quase um acto de caridade em o deixar ser professor de artes e ofícios para as meninas que frequentavam a escola industrial.


Espanha, grata pelo seu contributo artístico ainda o chamaria em 1944 a Madrid para o nomear Membro de Honra do Circulo de Artes de Madrid, onde lhe foi oferecido um jantar de honra com os velhos amigos e novos admiradores.
Viria a morrer a 21 de Julho de 1948 na sua casa da Rinchoa (arredores de Lisboa) onde deixou criada a sua Casa-Museu.
Leal da Câmara foi um turista forçado não só em Madrid, também o foi na sua terra, já que sempre foi um irreverente, por isso uma pessoa incómoda porque via a arte não como um diletantismo, mas como uma ferramenta de pedagogia.Se ele nos deixou um magnifico legado de obras geniais que fazem o registo do seu tempo, fazem o registo da história dos homens de uma forma descarnada, mais importante é o seu legado em descrever o Humor como a suprema arte da pedagogia: «O humorismo é se deter à beira do caminho e desse lugar contemplar a vida que vai correndo».


Monday, October 27, 2008

Inauguração do AmadoraCartoon 2008 nos Recreios da Amadora

A secção Portuguesa é composta pela obra dos caricaturistas Carlos Laranjeira, Pê (Pedro Ribeiro Ferreira) e Ricardo Galvão com caricaturas do mundo da ficção cientifica futebolistica
O Director do Festival Nelson Dona discursando com a presença dos tres artistas do Vereadpr e demais convidados. Quem faltou fui eu mesmo que apesar de ser o Comis´´ario do AmadoraCartoon tive que me ausentar para ir a Granada representar o país e fazer uma conferencia. Peço desculpa aos artistas, mas o mais importante é a sua obra, só espero que o publico da Amadora e do Festival visitem a exposição que está patente ao publico até 9 de Novembro nos Recreios da Amadora




Os Humoristas presentes em Granada


Eu recebendo o Diploma de Enbajador Honorário

Osvaldo de Sousa, Marçal, Pep Roy Gomez, Kap, Enrique, Rodrigo de Matos e Cabañas


Os Humoristas Presentes em Granada






Granada foi terra de homenagens e nomeações

Os Humoriats presentes foram Nomeados Embajadores Honorários de Granada pela Concejaria de Turismo
Diploma que me nomea Sócio Honorário da FECO Portugal, diploma esse entregue em Granada após a minha conferencia sobre Leal da Câmara e seu trabalho em Madrid durante o seu exílio



Granada e o II Encuentro de Humoristas



A Feco Portugal resolveu surpreender-me em terras Granadinas com uma nova distinção, Sócio-Honorário da FecoPortugal. Enchem-me de mimos...
Osvaldo de Sous fazendo sua conferencia sobre Humor e Turismo Forçado . O Exílio de Leal da Câmara em Madrid
Manuel Freira cativou os humoristas copm suas canções de irreverencia, de humor, de intervenção...
Um pedaço do recital/aula-de-poesia de Manuel Freire em Granada:
http://www.youtube.com/watch?v=v2AXsH_miaQ






Wednesday, October 22, 2008

Crianças despornotegidas na Net por Rodrigo de Matos


O alerta é do Observatório Europeu da Televisão. Os filtros de protecção das crianças contra a pornografia e conteúdos violentos na Internet são ineficazes

Tuesday, October 21, 2008

Le “calendrier Cévennes 2009” de René Bouschet

Le “calendrier Cévennes 2009” (dessins numériques de René Bouschet) est en téléchargement gratuit sur
mon blog à cet URL :
http://erbykezako.blogspot.com/2008/10/calendrier-cvennes-2009.html
Les dessins qui illustrent les pages du calendrier sont des reprises des dessins numériques réalisés cette année dans la région.
R*B

The "2009 Cevennes calendar" (Rene Bouschet’s digital drawings) is in free download on my blog at this URL:
http://erbykezako.blogspot.com/2008/10/calendrier-cvennes-2009.html
The drawings that illustrate the calendar pages are digital's drawings made this year near of Le Vigan city (France).
R * B

Monday, October 20, 2008

Boris Yefimov o desaparecimento de uma voz da história (1900-2008)

Boris Iefimov, considerado o cartoonista russo mais importante do século XX, morreu no dia 1 de Outubro com 108 anos. O desenhador nasceu Boris Fridland em Kiev, a 28 de Setembro de 1900, o segundo filho de um sapateiro judeu. O seu primeiro cartoon foi publicado em 1916. Estudou Direito em Kiev e trabalhou como jornalista antes de começar a publicar caricaturas em 1919. Depois, mudou-se para Moscovo onde trabalhou para vários jornais influentes, como o Izvestia.
Os seus desenhos abrangem toda a história da União Soviética, desde a revolução de 1917 até à queda do regime em 1991.Iefimov trabalhou sob as ordens de José Estaline, utilizando os seus desenhos como propaganda, primeiro contra os nazis durante a II Guerra Mundial e depois contra os Estados Unidos, nos anos da guerra fria.
Um dos seus desenhos mais famosos é uma caricatura de Hitler, que desenhou com um ar transtornado. Em entrevistas posteriores, Iefimov afirma que o líder do III Reich o teria posto numa lista de figuras soviéticas que seriam enforcadas, quando Moscovo fosse tomada. Em vez disso, foi enviado para os julgamentos de Nuremberga para desenhar os altos dirigentes nazis que foram julgados nesta cidade após o conflito. Há pouco tempo, Iefimov relatou um episódio de 1947, quando Estaline lhe ordenou que desenhasse o general norte-americano Eisenhower a reclamar o Pólo Norte como propriedade dos EUA.
A sua sobrevivência, física e profissional, é impressionante. Em 1998 numa entrevista à Reuters afirmou ter feito coisas contra a sua vontade, mas que recusar teria sido naïf, pois seria morto. O seu irmão, Mikhail Koltsov, foi mandado executar por Estaline. Boris Iefimov caricaturou os dirigentes nazis, que foram julgados em Nuremberga por crimes de guerra.
Escrevia as memórias e ainda produzia desenhos de humor. Faleceu aos 108 anos.

Boris Yefimov is dead (1900/2008)

Boris Yefimov, a Russian cartoonist despised by Hitler and beloved by Stalin, who for 70 years and 70,000 drawings wielded his talent as a keen sword to advance the goals of his country, died in Moscow on Wednesday.
He was 109, old enough to have seen the last czar pass in a coach, become friends with Trotsky, have Stalin personally edit his cartoons and vote for Vladimir Putin. In dispatches about his death, his age was first reported as 108, then corrected by his family.
When Yefimov was just 107, several Israeli newspapers reported that he was very likely the oldest living Jew, though he began to practice his religion only when he was 100.
The death of Yefimov, whose name is sometimes transliterated from the Cyrillic as Efimov, was widely reported by Russian news media.
Some reporters could not resist leading with his oddly warm but necessarily precarious relationship with Stalin, that famous lover of cartoons. Others first mentioned Hitler, whom Yefimov depicted as a sinister mix of the crazy and creepy. Hitler vowed to shoot the cartoonist as soon as he captured Moscow
Over almost the entire history of the Soviet Union, Yefimov's cartoons provided sharp commentary on subjects as varied as laziness on collective farms, bureaucratic inefficiency, the trials of Nazi leaders at Nuremberg, foreign policy trouble spots like Berlin and Yugoslavia, the Kennedy assassination and Mikhail Gorbachev's attempt to reform and salvage communism.

Yefimov was born as Boris Fridland in Kiev on Sept. 28, 1899, the second son of a shoemaker. Within three years, his family moved to Bialystok, which is now part of Poland. It was there that he began to draw, when he was 5, and saw Czar Nicholas II, when he was 11. He studied art and then law before going to Moscow to escape the chaos of the civil war in Ukraine.
In the 1920s, he and his brother, Mikhail Koltsov, who became a leading Soviet journalist, changed their last name, Fridland, partly because it sounded Jewish at a time when anti-Semitism was on the rise. He got a job at Izvestia through his brother's connections.
Trotsky liked Yefimov's cartoons so much that he wrote the introduction to the first book collecting them, in 1924. Only reluctantly did the editor of Izvestia agree to print the words of Trotsky, who by then was on Stalin's bad side. The editor was executed for his decision.

Even after Yefimov's brother fell into disfavor with Stalin and was executed in 1940, he himself remained one of the dictator's favorites. Stalin criticized the buckteeth he gave Japanese characters as racist, but nothing happened to the man who drew them.
Yefimov worked for many publications and some of his cartoons in effect became national icons, like the one showing frozen German soldiers carrying a coffin labeled "the myth of the invincible German Army." He received two Stalin prizes, among many honors.
Interview with Boris Efimov Political cartoonist, Pravda

Interviewer: How long have you been working as a political cartoonist?
Efimov: I consider the beginning of my career as a political cartoonist being from the summer of 1919. Which means that next year, if I am still alive, I will have been working 80 years.
Interviewer: You must have recorded in your work a lot of political events that you have seen in the course of your life, all the history of the Soviet Union.
Efimov: Absolutely. The Soviet Union was created before my eyes, and before my eyes it was liquidated. Under Soviet power from 1917, for about 90 years. I saw everything with my own eyes, heard everything, I witnessed a great deal and took part in a great deal.
Interviewer: How was the West depicted in your cartoons? Were there certain images that you would use?
Efimov: Cartoonists' images reflect reality, what is going on in the world, what is going on in our country. Cartoons are a mirror to reality. In my caricatures and political drawings, I portrayed the West. Although the West is a very broad term, but if you take it to mean everything outside our country, it seemed to us unfortunately for many years something of an enemy, something contradicting the order and values we had in our country. It is not because people wanted it to be that way, that we should be the opposite of the West. It just happened that way. I should say that there were two types of cartoon. There was the humoristic cartoon, funny, kind, entertaining, but there was also cartoons that were bitter, mean, offensive, exposing, those which are used as satiric weapons for those countries that consider themselves in "danger". You must know that good relations were not brought to our country in the last 100 years, a whole lot of history which we already know and is irrelevant. Although I did many simply humorous cartoons, happy ones that entertained people, at the same time my job as a political cartoonist was also to expose and make fun of or brand a disgrace whichever of our enemies the given occasion demanded. That was my main task. For us the Spanish Franco was our enemy, but Spanish Dolores was our friend. Unfortunately we rarely got the opportunity to draw them because all our efforts went towards caricaturing the Fascists and Hitler, and those who were attacking our country.

Interviewer: How did you portray Allied images of the West?
Efimov: When the war finished, and our allies stopped being our allies, there was created a situation where we started to depict them as a kind of enemy, as aggressors. During the war I was already caricaturing the Americans with dollar signs. It was, of course, still something both unclear and also unpleasant. But that was the politics of the Soviet Union at the time. The same was true of the politics of the West. We portrayed Churchill and Truman as aggressors and warmongers, and the West portrayed Stalin and Molotov as aggressors and warmongers as well.
Cartoons are the first thing that a reader of a newspaper looks at. He takes it in more quickly and more completely than any long article you would read. A cartoon instantaneously gives you both the event and the commentary about that event. That is the nature of a cartoon: fast, funny and persuasive.
If you need an example here is one: I was often impressed by Churchill, by his will, by his wonderful oratory talent, his jokes. I really liked him. And then it was announced that he was our enemy, and we had to draw cartoons about him, and when I drew him looking in the mirror and seeing a reflection of Hitler, that was, for me, not convincing and not pleasant. I realized that Hitler was a real Fascist enemy, and that Churchill was a big government figure.
I understood that this was not true, and I didn't believe it in my heart, in my soul, but that was government policy, and it was a situation against which I could not act.
I want to say that I was convinced that the thoughts and feelings that I put into my cartoons were the thoughts and feelings of millions of people. But we were simple people; we didn't do politics. Those who sat at the very top did the politics. We were the executives, and it was sometimes the case that I had to do something that went against my convictions, but I thought first of all that those at the top knew better about politics. Later I knew that whatever my objections might have been they would have brushed me away like some kind of pawn.
What happened during those years in any newspaper, any magazine, any home, of any conviction, people disappeared. You would arrive in the morning and ask where is Yuri? Well, they had taken him away in the night. You couldn't discuss it any further. The maximum you could say was, "He turned out to be an enemy of the people". And that was all. You didn't go back to the subject. I couldn't really believe that we had so many enemies of the people, but to discuss it was not done. And then you involuntarily thought well maybe they're not arresting people for nothing, maybe there's something in it, maybe it turned out he was guilty of something.
But when they arrested my brother as editor of the newspaper Pravda, I realized what was going on. And I prepared myself for my own arrest, since I was as guilty as he. But it never happened. I was left in freedom; I was left alive, and I continued to work. Not straight away, for roughly a year and a half, I was unemployed. They threw me out of the newspapers and magazines where I worked, because I was already known as the brother of an enemy of the people.
But then something strange and inexplicable happened. At the same time that my brother's case ended, and he was executed, I was asked to go back to work. It was some gruesome kind of reckoning I don't know what. I could have refused, right? I could, out of principle have said, "No! You killed my brother, I'm not going to work." But they would have sent me to the same place. I did not have the right to do that, because you can direct your own fate, your freedom, your own life, but I had my parents, our parents. I had a wife; I had a young son. If I had done that, they would all have died. So I went back to work. But you need to know that my work was directed towards fascism, towards Hitler. Hitler had already gone against the Soviet Union in the war, and I considered that, despite what my relationship with Stalin was like, my work was needed for the country, for Soviet power, needed as a weapon against Fascism.
The question of whether people believed in something positive, despite these terrible hideous atrocities that were going on in the country, I would say that they wanted to believe. Because to not believe, you know, is already the end of a person. A person has to believe in something, has to have some kind of hope, or it is already the end of him. So they wanted to believe that this was happening by chance, only now and again, that everything would be all right. And then people living in this country, you know the English expression, "Right or wrong, my country". Right? Where were people meant to go?
It was their country where they lived, and not everyone had somewhere else to run to. All, the majority, millions, had to stay in the country and live under the conditions which existed in that country. People had to believe, and they had to live.
Propaganda was certainly huge, broad, and I would say skillful, talented. Propaganda used music, and poetry and songs and paintings and cartoons. All this was managed by a system, which went from the top down to the bottom, which made people first of all somehow forget, although everything defended all these atrocities, which they committed. At the same time it somehow hypnotized people, that these things were only occasional, that they were necessary, that there in the West it was a lot worse, that here in the Soviet Union it was good. And they told us about the wisdom of Stalin, his kindness and that we shouldn't despair. And people had no way out but to believe. What alternative did they have? Not believing? That would lead to certain death. You had to live under the conditions that existed all over the country. That's what propaganda is.
In my opinion, propaganda appeared together with Soviet power, after the October revolt. Before I think people didn't even know the meaning of the word. People knew it existed, but it didn't have such a wide meaning or scope. All of the 70 years of Soviet power, all were based on propaganda. Sometimes propaganda suggested something correct and fair, and sometimes suggested something completely absurd, inhuman, against nature. But the strength of propaganda always overcame. People started to believe in something.
So today, when there is no propaganda in the sense that there was then, people don't know what to believe in, who to believe. If you sit in front of the television, and one politician appears, and talks about various things, and you believe him. And then another politician appears and you also believe him. Because there are not the same stable propagandistic truths. They are not there. And that is why, I think, the role of religion is so important today. That at least is some kind of stronghold for people to hang on to. Something that people organize themselves with, that they need to believe in God, that is also a kind of propaganda.
The role and meaning of propaganda are very great, very great. Propaganda was born together with the Soviet regime in 1917, and through all 70 years of its existence propaganda helped to consolidate society, held it in some kind of unified, strong community. And when the Soviet Union disappeared and propaganda disappeared with it, there was left a sort of emptiness. Because where, on the one hand, there used to exist one united strong propaganda of the Soviet regime, there now exists several propagandas. Every group, every party has their own propaganda. All this is confusing. It creates some kind of instability. People are disappointed. They don't know who to believe. Now the absence of any kind of unified propaganda is a great misfortune for our country. And I hope that there will be a propaganda that will propagate truth, decency, legality and kindness.
And now when people are convinced that this past propaganda carried with it so many lies and propagated a lot of things that were not necessary to the people. Now when it is gone, and people don't know what to believe, people think that some kind of propaganda is necessary so that people believe in something.
Interviewer: What was propaganda in your opinion?
Efimov: In my opinion, propaganda was always a weapon in the hands of the politicians who held the fate of the country in their hands. But the people themselves only suffered because this propaganda did not take in to account their interests, but led to something mutually hostile, some kind of confrontation. And if that kind of propaganda disappears, it will only be to the gratitude of ordinary people.

Friday, October 17, 2008

SALIO ARTEFACTO 12!!! de Omar Zevallos


Casi sin querer, pasó un año desde que iniciára,mos esta aventura editorial virtual que ye llegó a su número 12. Gracias a los lectores, colegas y amigos de diversas partes del mundo, hoy este pequeño Artefacto puede soplar una velita más.
Ya habrá tiempo de hacerle su fiestecita de cumpleaños.
En este núymero tenemos una entrevista (casi imposible) con el escurridizo y notable humorista gráfico Heduardo, que nos habla de su trabajo diario tomándole el pulso a la política peruana; también hay una semblanza del genial dibujante Julio Fairlie, creador de "Sampietri".
Además, una entrevista con el extraordinario caricaturista uruguayo Hermenegildo Sábat, de colección y muchas notas más. Este número está bueno.
La revista la pueden descargar de:
http://artefacto.deartistas.com/uploads/2008/10/artefacto12.pdf.com/uploads/2008/10/artefacto12.pdf
Y si quieren ver los número anteriores, aquí:
http://www.artefacto.deartistas.com/
No se la pierdan!!!!

Thursday, October 09, 2008

Fatwa contra Mickey Mouse


Por Teutatis, estes muçulmanos sou loucos.

Não basta oas fundamentalistas andarem a suicidarem-se para ganharam as tais mil virgens que a falsa publicidade lhes promete (o problema é que levam muitos mais com eles que não querem ir para o Paraiso, preferiam ficar na terra); não basta quererem impor nas nossas terras os seus costumes, não nos respeitando, já que quando lá vamos somos obrigados a respeitar os costumes deles... como de tempos a tempos enviam umas Fatwas contra quem não pensa como eles.

O mais ridiculo é que chegam ao grotesco de lançarenm fatwas caricaturais. Sei que a vida deve ser um sorriso, mas para isso já temos os politicos que, apesar de nos torturarem e fazerem a vida negra com suas opções politicamente proveitosas para quem se governa, nos divertem com as suas actuações grotescas. Agora serem tambem os homens da igreja a serem mais grotescos que qualqur caricaturista, isso já é tentativa de roubo, é querer tirar o pão de cada dia aos humoristas. Pois aconteceu que o sr. Mohammed Al-Munjid a lançar uma fatwa com o Mickey Mouse. Sim não é brincadeira. Ele, um sirio a viver na Arábia Saudita, mas com poderes de comunicar isto pela televisão, dia que o Mickey Mouse deve morrer, tal como devem morrer todos os ratos., porque é um soldado de satanás.

Claro que este gesto vai contra a tradição muçulmana que desde sempre usou as alegorias animais para as suas fabulas ( tal como a recolha Kalila wa Dimna de Ibn Al-Mouqaffa), mas este senhor, como todos os fundamentalistas não conhece a cultura do seu povo, e muitomenos a sua propria religião, o Islão. Esta é pois uma fatwa de morrer a rir.


Wednesday, October 08, 2008

Noticia sobre a criação da FECO PORTUGAL no jornal Público de 8/10/2008

Feco Portugal
Primeira associação portuguesa de cartonistas criada para defender profissionais do ramo
07.10.2008 - 15h13
Luís Lima

A Feco Portugal, primeira associação de cartonistas portugueses, foi oficializada na última sexta-feira para defender os profissionais do ramo, numa altura em que “os dias não vão ser famosos para a classe e a imprensa começa a prescindir dos cartoons”, disse ao PÚBLICO Zé Oliveira, presidente da organização.
A associação conta já com a adesão de 22 profissionais do sector e, segundo Zé Oliveira (nome profissional), tem por objectivo “dignificar a classe” e “reforçar os laços entre os profissionais da área, para que ela fique mais consolidada”.
“É gente solitária, que não conhece os outros... Nós queremos também combater a solidão”, referiu o humorista e jornalista.
A Feco Portugal pretende igualmente reivindicar, junto das classes dirigentes, “uma paridade entre os cartonistas portugueses e os cartonistas estrangeiros, no que concerne à sua presença em jornais, em comparação com aquilo que acontece com a música portuguesa e estrangeira nas rádios”, disse a mesma fonte.
“Queremos sensibilizar os grupos parlamentares para essa situação”, continuou.
Outra batalha da associação de cartonistas será a de incluir, nos planos curriculares das licenciaturas de jornalismo, conhecimentos que permitam a um profissional da comunicação social “distinguir entre um cartoon e uma caricatura, um cartoon e uma ilustração e por aí fora”.
“Não para aprenderem a desenhar, mas para poderem administrar desenhos”, reforçou Zé Oliveira.
A Feco Portugal pretende associar-se em breve à Feco internacional (Federation of Cartoonists' Organisations), organização com mais de dois mil desenhadores associados em cerca de três dezenas de países, presidida pela cartonista Marlene Pohle, que, de acordo com Zé Oliveira, já manifestou interesse em integrar a nova associação portuguesa na federação internacional.
A organização em Portugal “promete iniciativas de promoção da arte do cartoon e caricatura, para que os profissionais do riso sejam levados a sério” e está já a reunir mais associados.
Segundo Zé Oliveira, os 22 actuais membros trabalham em diferentes publicações, não só de âmbito nacional mas também regional, desde “diários nacionais de referência até periódicos de proximidade”.
A Feco Portugal pretende congregar os autores de caricatura, cartoon, banda desenhada, ilustração e cinema de animação, e deverá ser apresentada nos primeiros meses de 2009, provavelmente no distrito de Leiria.

Monday, October 06, 2008

FECOPortugal

Finalmente foi constituida oficialmente a FecoPortugal. É um projecto que eu aplaudo, pena é que não tenha mais adesões de artistas gráficos portugueses. Fui abordado muitas vezes, no passado, pela Feco internacional para criar e dirigir uma Feco em Portugal, contudo eu não sou artista, sou apenas um historiador, um produtor, e considero que quem deve estar nesta associação são os artistas e não os que não sabem desenhar e por isso fazem o resto. Da mesma forma que considero que um Salão, um concurso nunca deveria ser dirigida por um artista, para se evitar o aproveitamento pessoal nestas iniciativas, tambem acho que um produtor, um investigador não deve estar, e muito menos dirigir uma associação de classe. Quanto muito deve-se criar um estatuto de associados, de colaboradores, e desde já me declaro um parceiro, um colaborador para tudo o que a FECOPortugal desejar de mim. Se me aceitarem como elemento associado, terei muito gosto, mas nunca como membro com direito a voto, e a cargos directivos.

Na constituição notarial desta associação descreve os seguintes objectivos, assim como descreve a constituição directiva:

Objecto Social da FecoPortugal
Conforme ficou exarado no respectivo auto d constituição,
"A FECO-PORTUGAL - Associação de Cartoonistas, é uma instituição sem fins lucrativos.
Constituem atribuições da FECOPORTUGAL:
a) Promover a arte da Caricatura, Cartoon, Banda Desenhada, Ilustração, Cinema de Animação e expressões plásticas afins;
b) Pugnar pelo reconhecimento, dignidade, prestígio e justa remuneração profissional dos seus autores;
c) Defender os interesses, direitos e prorrogativas dos seus membros;
d) Promover e reforçar a solidariedade entre os seus membros;
e) Fomentar o intercâmbio com organismos congéneres nacionais e estrangeiros;
A actividade da FECOPORTUGAL não se subordina a quaisquer ideologias políticas, religiosas ou outras, actuando com total independência. Serão associados da FECOPORTUGAL os autores de Caricatura, Cartoon, Banda Desenhada, Ilustração e Cinema de Animação que, por direito próprio, estejam devidamente inscritos nesta associação."
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Por que se chama FECO
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Chama-se FECO, porque é criada com o objectivo de se filiar na Federação internacional designada FECO - FEderation of cartoonists Organizations, que abrange três dezenas de países.

Quem são os corpos sociais
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Mesa da Assembleia Geral
Presidente - Onofre Martins Varela
Secretário - Pedro José Bento Alves
Secretário - Rodrigo Daniel Nunes de Matos
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Direcção
Presidente - José Freire de Oliveira
Tesoureiro - César Manuel Sereno Mateus Évora
Secretário - Mário José Oliveira Teixeira
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Conselho Fiscal
Presidente - Álvaro José Teixeira Santos
Secretário - Carlos Alberto Antunes Sêco
Vogal - Eduardo José de Jesus Esteves

Festival de Lodz - Polónia

Festa Final na noite de sábado, com musica e concurso de desenhos ao vivo sobre mulheres nuas, as tais heroinas da BD (? )
Moebius, Manara e outros artistas a terem de mostrar as suas habilidades ao vivo
Moebius na exposição passeando
Desenhos de Manara e Moébius
Os desenhos dos mestres que se sugeitaram à prova

Thursday, October 02, 2008

Humoristas gráficos y exilio

Por J.M. Varona CHE
http://www.fandecomix.com

Especialmente en los tiempos actuales, se ha hecho patente a nivel general, el interés por la suerte que corrieron -una vez acabada la Guerra Civil-, algunos humoristas gráficos españoles que desarrollaron su labor en la II República .Entre los preocupados por el tema está el dibujante Lamberto Ortiz “Lamber”, el cual, el 15 de septiembre y en el marco del Salón de Actos del Centro Cívico de Sagunto, dio una conferencia sobre las vicisitudes sufridas por determinados dibujantes republicanos. El acto fue organizado y presentado por el presidente del Ateneo El Puerto Don Luis Cuadau; también estuvieron presentes concejales de EU y SP y el secretario comarcal de Comisiones Obreras.
Lamberto inició su disertación haciendo mención a la labor que unos profesionales desarrollaron en un momento de la Historia de España, llevados por los ideales de los que eran portadores y en la forma en que ellos sabían hacerlo, que era dibujando, lo que les creó las correspondientes enemistades, por lo que al sentirse amenazados, al acabar la contienda, no tuvieron más remedio que “poner pies en polvorosa”y exiliarse, cosa que hicieron en particular a través de Francia, cuyas autoridades no tuvieron el menor inconveniente en internarlos en campos de concentración en los que el maltrato, el desprecio y la desconfianza, estuvieron a la orden del día. Estos hechos fueron fielmente reflejados en un magnífico libro que se publicó en 1944,-precisamente con el título “Campos de concentración”-, con dibujos de Josep Bartolí y textos de Narcís Molins Aparte de las terribles marchas a pie y en toda suerte de vehículos, muchos españoles, sufriendo las mayores calamidades, iniciaron el camino del exilio por vía marítima (recuerda los nombres de los barcos “Massilia, Winnipeg y Sinaia), desde varios puertos, y en especial desde el de Valencia que se había convertido en la capital de la República.Poco a poco, la situación se fue normalizando en la nación vecina y en otras partes, lo que permitió a muchos profesionales trasladarse a otros países, en particular a los de lengua común española como son: Argentina, Chile, Cuba, Venezuela, México y otros, y de rebote, hasta los propios Estados Unidos, caso del dibujante Josep Bartolí que desde Francia, pasó en 1942 a México;y más tarde en 1946, fue contratado por la revista norteamericana “Holiday”. Murió en Nueva York en 1995.
Otro de los emigrados fue Luis Bagaría –considerado el más importante humorista gráfico español de su época-, el cual dirigió sus pasos hacía Cuba, en donde había vivido previamente. Murió en La Habana el 26 de junio de 1940.Celedonio Melitón Otaño fue encarcelado, pero pudo salir de la prisión gracias a un magnífico mural que pintó en donde estuvo recluido. Colaboró con los opositores al Régimen, entre otros, aplicando su habilidad con la plumilla en la falsificación de pasaportes. Al ser descubierto tuvo que buscar asilo en Venezuela. Regresó a España en 1980 y falleció en Hondarribia en 2003.Ernesto García Guasp, entre otras cosas, hizo carteles en la República. Al terminar la guerra pasó a Francia y fue internado en un campo de concentración, y desde allí, pasó a México en donde siguió desarrollando su actividad artística hasta su muerte.Luis García Gallo “Coq” fue un dibujante muy activo en época de guerra, creó un personaje imitando a Franco por el que fue muy conocido Tuvo que exiliarse a Francia en donde siguió con su trabajo. Allí adoptó el seudónimo de “Coq” (Gallo en francés), por lo que muchos de por allá pensaron que era alguien de la tierra Cientos de sus dibujos se publicaron en “Jours de France”. Terminó `por regresar a nuestro país en donde murió.
Alfonso Daniel Rodríguez Castelao se marchó a la Argentina a la que estaba vinculado. Fue uno de los dibujantes mas activo del exilio, no solo en el orden artístico sino en el político, pues llegó a ser ministro de la República en el Exilio. Murió en Buenos Aires el 7 de enero de 1950.Eduardo Robles Piquer “Ras” fue un magnífico caricaturista que arrasó por donde pasó. Estuvo en México, Venezuela y Nicaragua. También se dedicó a la arquitectura y a la decoración; incluso colaboró como articulista en varios periódicos. Terminó muriendo en Venezuela en 1993.Gregorio Muñoz “Gori”, en el periodo republicano diseñó fallas en Valencia en donde había nacido Se especializó en caricatura personal en la que destacó. Fue muy conocido; llegó a colaborar incluso con el mismísimo Josep Renau.El caso más doloroso fue el del dibujante va
lenciano Carlos Gómez Carreras “Bluff”, que fue hecho prisionero al término de la guerra, encarcelado y condenado a muerte, pena que a posteriori, le fue conmutada. En la cárcel, Bluff empezó a colaborar en el periódico “Redención” que editaba la Dirección General de Prisiones, pero he aquí, que en cierta ocasión –según cuentan- hizo un dibujo con un cielo tachonado de estrellas de ¡cinco puntas! como las que usaban los comunistas. Los responsables de los que dependía el artista, pensaron que éste era incorregible por lo que decidieron retirarle el indulto y fusilarlo, cosa que hicieron en el cementerio de Paterna.Ortiz también hizo referencia a otros profesionales, pero sobre todo habló de los inconvenientes que éstos tuvieron que superar por ser fieles a sus ideas. La conferencia estuvo muy documentada y se dio en forma amena, por lo que al final, fue obsequiado con un gran y prolongado aplauso.Lamberto Ortiz “Lamber” nació en Utiel en 1952, pero ha pasado una gran parte de su vida en el Puerto de Sagunto en donde desarrolla su trabajo y en donde colabora, con una tira diaria, en “El Económico de Sagunto”. Igualmente colabora de forma esporádica, en los periódicos “Las Provincias” y “Levante” en la sección Comarcas. Hace tiempo fue noticia, a nivel nacional e internacional, al verse involucrado en una querella por una viñeta, que le publicaron en el periódico “El Económico”, que estaba relacionada con los problemas ocasionados por la reforma del Teatro Romano de dicha población.
J. M. Varona “Che”.

Wednesday, October 01, 2008

ARTHUR SZIK - “UM EXÉRCITO DE UM HOMEM SÓ”

A história é quase sempre escrita pelos vencedores. Não só escrita, como emoldurada, mitificada, adaptada às conveniências do poder triunfante. Por isso, e não só, o humor gráfico é um mal-amado pelos senhores que estão no poder, e pelos que o ambicionam. Contudo, a voz dos “loucos da aldeia” têm mais verdades que a verdade que se vê, e o Cartoon, o desenho de humor é fundamental para se conhecer algumas das verdades da história.
Num gesto impar de democracia e pedagogia, o Museu de Historia Alemão resolveu expor as obras do cartoonista Arthur Szik (1894 - 1951) numa exposição denominada “Desenhos contra o nacional-socialismo”. Este genial artista da sátira política nasceu em Lodz – Polónia, no seio de uma família judaica. Na adolescência foi estudar para Paris, integrando a boémia parisiense da década de vinte, contudo em vez dos cubismos, mos futurismos, do dadaismo interessou-se mais pela investigação das técnicas medievais, renascentistas do desenho, da gravura, recriando não só a beleza dessas técnicas, como o grotesco que germinou na artes desses períodos, readaptando-o para o grotesco da vida contemporânea.

Pertencendo à tribo Judaica, desde cedo conheceu as agruras da diáspora, os estigmas de seu povo procurando documentar pelo desenho todas essas vivências em sátira, em humor, uma das armas de sobrevivência que o Judaísmo desenvolveu ao longo dos séculos.
A ascensão do nazismo obrigou-o a exilar-se nos EUA onde se tornaria o cartoonista dos principais periódicos, onde usou todas as suas armas gráficas contra os novos “Atilas” (Alemães, Italianos, Japoneses…), contra a Barbárie que dilacerava a humanidade de meados do séc. XX. Essa sua luta, esse seu fulgor em batalha tipográfica levaria Eleonor Roosevelt (esposa do presidente dos EUA) a dizer que ele era um “exército de um só Homem”.

Sua mãe, e demais familiares morreram nos campos de concentração que ele desde muito cedo denunciou, e que o poder dos Aliados procuraram sempre ignorar e só muito tardiamente reconheceram como real.

Mas os seus inimigos a combater não era só o nazismo Hitleriano, Mussolinico, Franquista, Nipónico…. Era a barbárie de qualquer animal humano contra os seus irmãos. Por essa razão foi também um denunciador do racismo, do xenofobismo que le via à sua porta mericana contra os negros e outras raças, ou o anti-comunismo primário, absurdo e animalesco de McCarthy. Por essa razão, e apesar de todos conhecerem o seu lado da trincheira foi incomodado pelo Congresso americano, foi perseguido e se morreu de ataque de coração pouco tempo depois das intimidações policiais, nada pode negar que o fascismo americano foi um dos culpados da sua morte.

O judaísmo foi um alento para a sua vida, para a sua obra, razão pela qual na sua obra também se pode encontrar o louvor, o apoio à criação de um estado Judaico.



Morreu em 1951, mas a Arthur Szyk Society mantêm a sua obra de génio viva em mostras um pouco por todo o mundo. A Alemanha, e a Europa, com esta exposição redescobre a obra genial deste grande mestre do desenho, da história viva. A exposição estará patente até 4 de Janeiro de 2009, pena tenho de não poder lá ir.

Arthur Szyk - DRAWING AGAINST NATIONAL SOCIALISM AND TERROR

An exhibition of the German Historical Museum in cooperation with the Arthur Szyk Society, Burlingame, USA
Curators: Katja Widmann, Johannes Zechner
http://www.dhm.de/ausstellungen/arthur-szyk/index.html
Arthur Szyk (1894–1951) was one of the most memorable political caricaturists and illustrators during World War II. With his artist’s pencil he fought against the National Socialist regime and its Axis partners. His pieces appeared in highcirculation American magazines and daily newspapers. With his drawings and the active involvement in relief organizations, he sought ceaselessly to direct the public’s attention to the mass murder of the European Jews. The First Lady Eleanor Roosevelt referred to him as a “one-man army”. The exhibition provides a representative cross section of Szyk’s oeuvre for the first time in Germany, focusing in particular on his political drawings.

Art and Politics
Szyk grew up as the child of Jewish parents in the Russian-occupied part of Poland. His Jewish-Polish origin inspired a particular sensibility to societal prejudices and political discrimination. He formed a desire to use art for affecting society. During his art studies in Paris, he began to explore its modern trends. Rejecting abstraction, he saw medieval book illuminations and Renaissance prints as his role models. With the precision of a master craftsman, Szyk worked in a traditional and broadly understandable pictorial language to convey relevant messages. Szyk saw himself as a political artist. In the beginning, he mainly worked as an illustrator of books and historical texts. Many of his works dealt with the Jews’ situation in the European societies and the values of democracy and freedom.

The artist embellished their armor not only with their order’s cross, but also with swastikas and skulls. Through the combination of these insignia, he establishes a connection between the Teutonic Order’s expansionist rule in the Middle Ages and the National Socialist regime’s occupation policy. Together with many other political drawings by Szyk, the entire series was published in his book Ink and Blood in 1946.


Genocide and Resistance
As one of only a few artists, Szyk was already addressing the genocide of the European Jews during the war years 1939-1945. Published in newspapers and periodicals, his drawings again and again confronted the American public with the Holocaust. The artist explicitly criticized the refusal of Great Britain and the United States to take in additional Jewish refugees. Through work in political organizations, he attempted to move the United States to intervene more actively in support of the persecuted. Likewise, Szyk campaigned for the creation of a Jewish army, which was to fight alongside the Allies against the Axis. Given the ever higher numbers of victims, his works increasingly addressed Jewish armed resistance against their persecution and systematical extermination. The focus of his attention was the Warsaw Ghetto Uprising of April 1943, which Szyk placed in the tradition of the Jewish uprisings against foreign rule.
Between 1945 and 1948, Szyk created a series of nine visual national histories dedicated to, among others, his homeland of Poland and the Allied states. The detailed drawings were created to serve as decorative frontispieces for stamp albums from the individual countries. The artist grouped paradigmatic events and personalities, both past and present, around the respective national symbols.The Star of David stands at the center of this image—published in 1949—as symbol of the Zionist movement as well as of the state of Israel, which had been founded the year before. The twelve golden emblems on the columns refer to the tribes of the biblical Israel; the soldier and the farmer personify the Zionist ideal types of the “new Jews”; and the oranges and grapes symbolize the land’s fertility.
Epilogue
Szyk’s artistic work during the last years of his life was defined by two political themes. For one thing, he supported the Zionist movement in its goal of founding a Jewish state. The artist had already during the war campaigned for an increased Jewish immigration to the British mandate of Palestine. The proclamation of the state of Israel in May 1948 was the fulfillment of a long-held dream for the steadfast Zionist. For another thing, he portrayed his adopted homeland of the United States as the ideal of a society based on liberty and democracy. Even before immigrating in 1940, the artist had created works on the events and personages surrounding the War of Independence. He saw parallels between the American pursuit of national sovereignty and the Polish nation’s desire for freedom. Compelling works, however, also pointed out threats to democracy, such as the discrimination against African Americans or the excessive anticommunism of the McCarthy era.

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